Pasta de Assuntos Estratégicos deve ficar com economista

Após recusa do PSD de Gilberto Kassab, Dilma deve nomear Marcelo Neri, do Ipea, como ministro da secretaria

MARCELO DE MORAES, VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h09

A presidente Dilma Rousseff planeja nomear o economista Marcelo Neri como ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). A pasta chegou a ser oferecida por Dilma ao PSD de Gilberto Kassab, mas o ex-prefeito recusou o convite. Com orçamento de R$ 26,5 milhões, o "ministério do futuro", como é conhecido, não integra o rol das disputas políticas nem precisa entrar na barganha para a campanha da reeleição, em 2014.

Neri preside o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que é subordinado à SAE, e está como interino do ministério desde sexta-feira, quando foi anunciada a primeira etapa da reforma na equipe. Insatisfeito no comando da SAE, Wellington Moreira Franco (PMDB) foi transferido para a Secretaria da Aviação Civil depois de dizer que Assuntos Estratégicos "não elegem um vereador".

Dilma elogiou Neri na semana passada, mas ainda não fez o anúncio oficial. Ela está em Roma, onde participará, hoje, da missa de posse do papa Francisco. A presidente resolveu aguardar mais um pouco porque ainda faz ajustes no primeiro escalão e está observando o cenário político, em busca de apoio para o palanque da reeleição. Caso não haja tropeços no meio do caminho e a mudança seja confirmada, ela precisa arranjar alguém para tocar o Ipea.

A segunda parte da reforma começará a ser discutida nesta semana. Até agora, houve três trocas: além de Moreira Franco, entraram Manoel Dias (PDT) no Ministério do Trabalho e Antônio Andrade (PMDB) na Agricultura. Mesmo sem ter o PSD de Kassab oficialmente na base aliada, Dilma ainda pode nomear o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), para a Secretaria da Micro e Pequena Empresa. A intenção da presidente é tirar um aliado do PSDB e dividir o ninho tucano em São Paulo, o principal colégio eleitoral do País. Se isso ocorrer, a entrada de Afif na equipe será na "cota pessoal" da presidente Dilma.

Transportes. A maior dúvida da reforma diz respeito ao Ministério dos Transportes. Dilma ofereceu ao PR o comando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Valec, estatal que cuida de ferrovias, mas o partido não aceitou. A cúpula do PR perdeu a pasta dos Transportes em 2011, quando caíram o ministro Alfredo Nascimento, hoje senador, e as direções do Dnit e da Valec, na esteira da "faxina" promovida por Dilma.

Agora, o partido quer derrubar o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, mas não há consenso em relação ao nome para substituí-lo. A bancada do PR na Câmara defende a indicação do deputado Luciano Castro (RR), mas uma outra ala propõe o senador Antônio Carlos Rodrigues (SP).

Dilma gostaria de manter Passos, mas o PR ameaça apoiar o PSB ou o PSDB nas eleições de 2014 se não for contemplado na reforma ministerial da presidente.

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