Passe Livre rejeita manifestações anticorrupção e apoia 'Excluídos'

O núcleo de Brasília do Movimento Passe Livre (MPL-DF), grupo protagonista dos protestos de junho em todo o País, criticou as manifestações anticorrupção articuladas nas redes sociais para hoje. Em carta aberta, o movimento afirma que os atos são apoiados "secretamente por grupos conservadores que não dão as caras ao público".

BRENO PIRES, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2013 | 02h04

O MPL diz que, nas diversas páginas de convocação de manifestantes no Facebook, há defensores de temas como diminuição da maioridade penal, criminalização do aborto e até intervenção militar. "O movimento contra a corrupção está sendo corrompido a tornar-se um movimento pró-regime de repressão autoritária", diz a carta.

Oficialmente, a pauta do "Maior Protesto da História do Brasil" - evento criado no Facebook com mais de 400 mil confirmações de presença - não inclui tais temas. Nos comentários e enquetes, porém, é possível ver que esses assuntos foram comentados. A organização, contudo, afirma que "não quer golpe militar, intervenção, fascismo ou socialismo".

"Não achamos que acontecerão marchas pró-ditadura, mas achamos que, por não terem posições claras, (essas manifestações) dão espaço para que grupos conservadores desenvolvam as suas pautas", diz Paíque Duques Santarém, integrante do Movimento Passe Livre do Distrito Federal.

O MPL de Brasília, no entanto, afirma que apoia outra manifestação marcada para hoje: o Grito dos Excluídos. "Este sim é um espaço que conflui com as nossas apostas políticas e com os grupos que sabemos construir a luta cotidianamente, nos trabalhos de base, junto com a população", diz a carta do MPL.

Em São Paulo, o MPL não participará de manifestações, mas realizará um debate sobre o sistema de transporte na zona sul de São Paulo, às 15h, na Praça do Trabalhador, em Parelheiros.

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