AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO
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Partidos também precisam de reforma para atrair lideranças

Movimento afirma que alteração ideal não deve depender de limitação de número de partidos, mas aprimorar controles

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2018 | 21h07

Quando se fala em reforma política logo se aponta uma solução como prioritária: a redução do número de partidos – são 35 em atividade e outros 74 com pedido de registro no TSE. A proposta vira e mexe é citada por algum candidato como se a quantidade apenas e não a qualidade do debate de ideias definisse a representatividade política.

Para o cientista político e cofundador do Movimento Transparência Partidária, Marcelo Issa, a reforma ideal não depende de uma limitação de partidos, mas de um aprimoramento deles, com maior controle, transparência, participação de mulheres e mecanismos novos que permitam uma verdadeira renovação interna e externa.

“Se os partidos não são transparentes, como vamos exigir que a política seja? São eles, gostem ou não, que dão o cardápio de opções ao eleitor. Eu defendo que uma próxima reforma proponha mudanças no funcionamento dos partidos para que eles se abram a novas lideranças, deixem de ter donos – com limitação de mandatos de presidentes – e se tornem mais íntegros, com a adoção de mecanismos de compliance, por exemplo.”

Credibilidade

Devolver credibilidade aos partidos, muitos deles envoltos em escândalos de corrupção, seria também um caminho para torná-los mais atrativos. Sem confiança nas legendas atuais, quem não é do ramo se sente refratário em aderir a um projeto político. E o resultado é visto nas urnas, diante da baixa taxa de renovação especialmente nos mandatos parlamentares, apesar de o Brasil ter 16,8 milhões de filiados – 8,5% da população total – e 29 mil candidatos apenas nesta eleição, para um total de 1.654 cargos em disputa.

Se acreditasse em um partido, a instrumentadora cirúrgica Irani Dias, de 46 anos, possivelmente já teria ao menos cogitado se candidatar a algum cargo público. Ativista na área da habitação e dos direitos da mulher, ela já negou diversos convites para disputar uma eleição.

“Eu não vou entrar nessa para partido nenhum cumprir cota. Sei que me convidam por causa da cota das mulheres. Mas, hoje, do jeito que as coisas estão, não me vejo em nenhum partido. O certo, na minha opinião, é a liberação da candidatura avulsa. Daí, sim, poderia pensar a respeito”, afirma Irani, líder comunitária do Jardim Brasil, na zona norte da capital paulista.

Consciente das necessidades de sua região, Irani também defende a aprovação do voto distrital misto, para que o território onde mora tenha de fato um representante. “A zona norte hoje é terra de ninguém. Não tem um político identificado com o que a gente quer, o que a gente precisa. Isso faz falta.”

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