Partidos se unem para eleição da Mesa Diretora

O crescimento do PSB nas eleições fortaleceu a candidatura do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) à presidência da Câmara. Setores do PT e de partidos aliados e de oposição, antes dispostos a trair o acordo para eleger Alves no dia 1.º de fevereiro, refluíram e agora querem o peemedebista no comando da Câmara. Nos últimos dias a candidatura de Alves conquistou apoios, desde os oposicionistas PSDB e PPS até aliados como o PR e o PSD.

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h04

A estratégia do Planalto e do PT é "cortar as asas" do governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, eventual adversário da presidente Dilma Rousseff em 2014. O PSB derrotou o PT em capitais importantes, como Recife, Belo Horizonte e Fortaleza, respingando na pretensão do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) de suceder Marco Maia (PT-RS) na presidência da Câmara.

Antes com chances reais de vingar, a candidatura de Delgado está cada dia mais sem respaldo no "baixo clero" e com deputados "independentes". Diante disso, Campos não estaria disposto a arriscar o patrimônio conquistado nas urnas e entrar numa "aventura" para ganhar a presidência da Câmara. Caciques do PSB acham que uma derrota de Delgado ficaria na conta de Campos.

"Não há motivo para o Eduardo Campos pôr em risco o patrimônio político que ele conquistou com as vitórias do PSB nessas eleições", diz o deputado Sílvio Costa (PTB-PE). "Ele (Campos) tem que mostrar que é agregador. Não tem lógica política o PSB apresentar uma candidatura", continua. "Quem tinha alguma frustração com o apoio do PT à candidatura do Henrique definitivamente está certo agora de que Campos não é o desaguadouro de qualquer alternativa", observa um integrante da cúpula petista.

Em plena campanha, Delgado garante que há "terreno fértil" para sua candidatura. "Há o temor de que surja uma terceira via e o governo sabe que ficaria tranquilo comigo", diz. Mas a aparente decisão do Planalto e do PT de apoiar Henrique Alves é para evitar o surgimento de um candidato à la Severino Cavalcanti, que acabou se elegendo ao cargo, em 2005. Dilma teme que a eventual vitória de uma candidatura alternativa gere uma crise com impactos na governabilidade.

Além da decisão do PT de honrar o acordo para eleger Henrique Alves, o xadrez político da sucessão na Câmara ficou praticamente definido depois de o PSD do Kassab ter aderido formalmente ao governo Dilma Rousseff, com a promessa de obtenção de um ministério no ano que vem. Havia o temor de que o PSD se unisse ao PSB, conquistando uma bancada de mais de cem deputados, e acabasse endossando a candidatura de Delgado.

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