Partidos reavaliam estratégia para sucessão em Pernambuco

Candidato ao governo do Estado pelo PSB, Paulo Câmara, contava com apoio de Eduardo Campos para avançar na disputa

Ricardo Brandt, enviado especial, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 08h20

RECIFE - A morte do candidato a presidente Eduardo Campos, nessa quarta-feira, 13, em Santos (SP), abriu um vácuo político em Pernambuco e fará o PSB adaptar sua estratégia de campanha do candidato a governador pelo partido, Paulo Câmara. Com 11% das intenções de voto na última pesquisa, 32 pontos atrás do líder Armando Monteiro Neto (PTB), o apoio do ex-governador morto era sua aposta para tentar reverter a desvantagem.

O ex-governador morto, que havia se mudado para São Paulo para a disputa presidencial, planejava intensificar as visitas a Pernambuco ao lado do candidato do PSB para apresentá-lo como seu indicado político e, com isso, tentar transferir sua alta aprovação de governo. Foi Campos que lançou Câmara candidato, contrariando lideranças do partido interessadas na vaga, e era ele quem comandava a campanha estadual.

"Ele (Campos) era o eixo central do processo. Era um grupo, mas capitaneado por ele. O que vai acontecer com essa ausência é uma situação delicada. Era melhor uma eleição com ele, para a gente ganhar no voto", afirmou um membro da campanha de Armando Monteiro, em reservado.

Maior interessado nos movimentos do PSB, Armando Monteiro evitou falar sobre o cenário eleitoral e lamentou a morte de Campos. "Eu não me arrisco a fazer prognósticos, agora vamos aguardar os desdobramentos", disse. Aliado do ex-governador morto em seus dois governos, o candidato do PTB também buscará explorar essa aliança de sete anos, caso a comoção do eleitor comece a fazer seus votos migrarem para Câmara.

Já nessa quarta a coligação encabeçada pelo PTB discutiu internamente o que fazer, caso o PSB use a tragédia e a comoção gerada entre o povo do Estado para impulsionar a candidatura de Câmara. Declarações como a dos filhos no dia dos pais, veiculada ontem, gravações inéditas feitas para o programa eleitoral que começa no dia 19 devem ser usadas para associar a imagem dos dois e suprir sua ausência na disputa.

As falas politizadas do irmão, Antônio Campos, e do governador, João Lyra Neto (PSB), após a morte, soaram como indicativo disso. "Eduardo morreu no dia em que meu avô (Miguel Arraes) morreu. Eduardo morreu lutando pelo que acreditava, e deixa como legado essa luta para melhorar o Brasil. Que o Brasil faça uma reflexão sobre esse País. Eduardo morreu lutando pelos seus ideais", disse Antônio, em frente à casa da família.

Minutos antes, no Palácio Campo das Princesas, o governador João Lyra falou em esperança e exemplo. "Que a vida dele sirva de exemplo para todos nós de muita voluntariedade e coragem e, acima de tudo, de muito compromisso com o povo pernambucano e com o povo brasileiro".

Dentro do PT, que integra a coligação de Armando Monteiro, a expectativa é que o candidato do PSB explore a "imagem da saudade e do herdeiro político". Mais o que uma escolha, petistas avaliam que essa será a única saída para Câmara crescer na disputa. "É uma perda e acho que em um momento muito determinante, porque é um momento eleitoral, ele era candidato. Isso dimensiona mais a perda", afirmou a deputada estadual Teresa Leitão (PT), aliada de Armando Monteiro e oposição ao governo do PSB na Assembleia.

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