Partidos não chegam ao terceiro mandato em 90% dos municípios

Fragmentação partidária e desgaste administrativo colaboram para alta taxa de rotatividade de legendas nas prefeituras

O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h05

Em Jundiaí, a cerca de 60 quilômetros da capital paulista, o PSDB ganhou todas as eleições municipais entre 1992 e 2008. Foram 20 anos de continuidade administrativa, até Pedro Bigardi (PC do B) quebrar a hegemonia tucana na cidade. Em Concórdia, no oeste catarinense, o PT venceu em 2000, 2004, 2008 e 2012, e caminha para 16 anos seguidos de controle da prefeitura.

Os dois casos são exceção no País. A regra é a alternância de partidos no poder local. De 2008 para 2012, em apenas 30% das cidades do País a mesma legenda foi a vitoriosa nas eleições municipais. Levando-se em conta as últimas três eleições, desde 2004, o índice de continuidade é de apenas 10%.

Uma das razões da alta rotatividade é a fragmentação do quadro partidário. Com quase três dezenas de siglas disputando o poder, as chances de controle hegemônico se reduzem.

Prefeitos também costumam dedicar mais energia à sua própria campanha de reeleição que a de correligionários. E há o fator desgaste, que abre espaço para que as oposições lancem mão do discurso da necessidade de renovação.

Ruptura. Em Porto Alegre, o PT venceu quatro eleições consecutivas a partir de 1988 e chegou a ser considerado imbatível. Mas, em 2002, o então prefeito Tarso Genro renunciou ao cargo para disputar o governo estadual e abriu a janela de oportunidade que a oposição esperava havia mais de uma década. Em 2004, José Fogaça, então no PPS, venceu no segundo turno com o apoio de todas as forças antipetistas da cidade.

Desde então, o partido tenta se recuperar, sem sucesso. Em 2012, o PT teve seu pior desempenho na capital gaúcha nos últimos 24 anos: menos de 10% dos votos válidos.

Outra ruptura aconteceu neste ano, em Campo Grande (MS), onde o candidato do PP, Alcides Bernal, pôs um fim à hegemonia do PMDB, que governou a cidade em uma sequência de cinco mandatos. Em São José dos Campos (SP), foi o PT quem desalojou o PSDB após 16 anos de continuidade administrativa, com a vitória de Carlinhos Almeida ainda no primeiro turno. / D.B. e A.R.

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