VALERIA GONCALVEZ/ESTADAO
VALERIA GONCALVEZ/ESTADAO

Partidos 'empurram' convenções das eleições 2018 para a reta final

Dificuldades para formar coligações obrigam legendas a adiar definição sobre candidaturas para o prazo limite estipulado pela lei

Felipe Frazão e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 05h00

BRASÍLIA - A indefinição das candidaturas à Presidência da República e a dificuldade dos pré-candidatos em atrair partidos para suas coligações nas eleições 2018 vão retardar a realização das convenções partidárias neste ano. A menos de 20 dias do início do prazo legal para definir oficialmente os candidatos, a maior parte dos dirigentes ainda não tem data marcada para os encontros e fala em realizá-los no limite, às vésperas do início da campanha.

O período estipulado pela Justiça Eleitoral vai de 20 de julho a 5 de agosto. A campanha começa 11 dias depois, em 16 de agosto. Na eleição presidencial de 2014, seis partidos realizaram suas convenções logo na primeira semana do período determinado pela legislação (entre 10 e 30 de junho, à época): MDB, PSDB, PV, PSC, PSTU e PRTB – e somente o MDB, que naquele ano ainda era PMDB, não teve candidato próprio.

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Dos partidos que pretendem lançar candidatos próprios em 2018, o PT adiou a convenção que pretendia chancelar a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo com ele condenado e preso na Operação Lava Jato. O evento estava previsto para 28 de julho. Agora, o mais provável é que ocorra em 5 de agosto, sem a presença de Lula no palanque.

O PSDB, do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, deve realizar sua convenção também na reta final, a primeira semana de agosto. Uma ala do partido queria que o encontro fosse feito em 21 de julho, mas Alckmin não conseguiu fechar alianças e não quer fazer uma convenção esvaziada, sem ter um candidato a vice para anunciar. “Ou vai ser a primeira ou a última”, disse ele.

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Cortejado por Alckmin e Ciro Gomes (PDT), o DEM deve anunciar a desistência de lançar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), como candidato próprio, mas não tem previsão de quando realizará seu encontro nacional. “Primeiro, vamos definir nosso caminho, depois, a data da convenção”, disse o presidente da sigla, o prefeito de Salvador, ACM Neto.

As convenções nacionais definem a posição dos partidos na disputa presidencial, indicando a chapa apoiada pelas siglas. Os pré-candidatos são oficializados após votação interna, da qual participam os delegados dos diretórios.

Pulverização. O atraso na realização das convenções é mais um elemento da incerteza que ronda a disputa eleitoral neste ano. Isso não é provocado por concorrência interna entre pré-candidatos a presidente de um mesmo partido, mas pela pulverização de postulantes que ainda não deslancharam nas pesquisas de intenção de voto.

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Outro indicativo é que os pré-candidatos, mesmo os que possuem ampla maioria dentro de suas siglas para disputar o Palácio do Planalto, não conseguiram ainda indicar os vices com quem pretendem concorrer, à exceção de Guilherme Boulos. O PSOL tem acordo com o PCB, que indicou a líder indígena Sonia Guajajara como pré-candidata a vice-presidente.

PSL de Bolsonaro ainda não marcou data de convenção

 O presidente em exercício do PSL, Gustavo Bebianno, disse que não marcou data para lançar em convenção a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (RJ) e que é cedo para fechar alianças.  Com a negativa do PR em ceder o senador Magno Malta (ES) para vice, Bolsonaro pode terminar optando por chapa pura do PSL. O PRB, que tem o empresário Flávio Rocha como pré-candidato, também não agendou encontro nacional e pode terminar apoiando outro candidato.

Outros partidos sem candidato próprio, como PPS, Solidariedade, PR e PP também aproveitam o tempo para negociações e avaliações de quem tem mais chances de vitória. O PTB pretende referendar apoio a Alckmin no fim de julho. Os demais devem postergar ao máximo, de olho no desempenho dos postulantes nas pesquisas de intenção de voto. “Todo mundo vai deixar para os 45 do segundo tempo”, diz Porfírio Dias, secretário de comunicação do PR.

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O presidente licenciado do PSD, ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), reconhece que falta de clareza nos acordos entre partidos influencia a realização das convenções. “Enquanto não se tem certeza da aliança, vai jogando a convenção para o final. Enquanto ainda pode ampliar, fica para depois”, afirmou.

Segundo o presidente do PSB, Carlos Siqueira, o partido, hoje dividido entre apoiar Lula ou Ciro, não realizará convenção se optar por manter a neutralidade na disputa. “Nós só faremos congresso se formos apoiar algum dos candidatos. Caso contrário, não precisaria fazer. É provável que haja.”

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Até agora agendaram data o PDT (20/7), de Ciro; o PSC (20/7), do ex-presidente do BNDES Paulo Rabello de Castro; o PSOL (21/7), de Boulos, o Podemos (22/7), do senador paranaense Alvaro Dias; o PCdoB (1/8), que tem a deputada estadual gaúcha Manuela d’Ávila como postulante ao Planalto; e o Novo (4/8), do ex-executivo de bancos João Amoêdo. "Já temos tudo definido, não tem por que esperar", afirma o ex-ministro Carlos Lupi, presidente do PDT.

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