Partidos começam a definir próximos líderes para a Câmara

Nomes cogitados nas legendas que integram a base aliada são mais críticos ao governo do que as atuais lideranças

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h06

O perfil dos líderes que os partidos estão escolhendo para a Câmara dos Deputados deverá tornar o embate entre governo e oposição mais acirrado no ano que vem. No PT, assumirá o deputado José Guimarães (CE). Assim como o atual líder, Jilmar Tatto (SP), ele atua na linha de frente da tropa de choque do governo. Na oposição, o líder do DEM deverá ser Ronaldo Caiado (GO) e o do PSDB será escolhido entre Carlos Sampaio (SP) e Domingos Sávio (MG). Todos são conhecidos pelas posições muito críticas ao governo.

Guimarães é irmão do ex-presidente do PT José Genoino, condenado a 6 anos e 11 meses pelo Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha e corrupção ativa no processo do mensalão. Ele era o favorito para ser o líder no início do ano, mas cedeu o lugar a Tatto porque ainda corria o risco de ser processado pela Justiça no caso em que um assessor de seu gabinete - José Adalberto Vieira - foi preso com U$ 100 mil na cueca e mais R$ 209 mil numa maleta, em 2005, no auge do escândalo do mensalão. Em junho o Superior Tribunal de Justiça (STJ) desvinculou Guimarães do assessor e livrou-o de qualquer tipo de processo.

No PR são candidatos a líder os deputados Anthony Garotinho (RJ), Fernando Giacobo (PR) e Luciano Castro (RR). Se o escolhido for Garotinho, a previsão é de que o PR adote uma linha de independência em relação à presidente Dilma Rousseff, com possibilidade de um viés de oposição. Desde junho do ano passado, quando o senador Alfredo Nascimento foi tirado do Ministério da Agricultura, o PR oscila entre a independência e a base do governo. Já Luciano Castro tende a levar o partido novamente para a base do governo. De outras vezes em que foi líder, trabalhou intensamente por acordos com o Palácio do Planalto.

No PMDB três deputados disputam a liderança. Todos eles têm perfil menos governista do que o atual líder, Henrique Eduardo Alves (RN), que deverá ser o próximo presidente da Câmara, num acordo feito com o PT para o rodízio da direção da Casa. O deputado Danilo Forte (CE), que é ligado ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Eunício Oliveira, tem queixas do governo por não ter conseguido fazer o sucessor na presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Dos outros dois candidatos a líder, Osmar Terra (RS) costuma fazer cobranças duras ao governo para o socorro a prefeituras, enquanto Marcelo Castro (PI) atua na linha dos que exigem a liberação de emendas parlamentares.

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