Partido sai da toca e fala em candidatura de Eduardo Campos

Vice-presidente da sigla, Roberto Amaral, afirma em evento que 'caminho mais viável para 2014' é o governador disputar

LUCIANO COELHO, ESPECIAL PARA O ESTADO/ TERESINA, DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h22

O vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, defendeu abertamente ontem, durante reunião do partido em Teresina, o nome do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para disputar as eleições presidenciais de 2014. "O governador de Pernambuco é o que está mais preparado pra isso. Se ele aceitar a missão, estaremos prontos para apoiá-lo. Esse é o caminho mais viável para 2014", afirmou. "Torcemos sempre para que o partido chegue ao poder. Eduardo Campos é bastante preparado", insistiu Amaral.

Até então o PSB evitava assumir a candidatura de Campos. O governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), foi mais cauteloso. "Todo partido almeja chegar ao poder. Existem possibilidades de termos candidato. O nome do Eduardo é bem aceito e gera uma esperança. Mas vamos tratar de eleição em 2014."

Quando se falou no PSB deixar os cargos e os ministérios no governo Dilma Rousseff, Roberto Amaral reagiu: "Por que faríamos isso? Somos da base do governo. Ajudamos a eleger a presidente Dilma e, antes, o presidente Lula. Continuamos apoiando o governo. Não tem porque sair", afirmou Amaral.

2014? Enquanto opera nos bastidores, Campos segue despistando publicamente suas intenções de concorrer ao Planalto. Indagado ontem sobre suas movimentações, respondeu: "2014 a gente discute em 2014. Nem ganhamos em 2012 ainda, estamos terminando as tarefas de 2012 ainda, como é que nós vamos colocar o Brasil em um debate em 2014? Acho que é hora de 2013 pautar o que una os brasileiros, é hora de enfrentar a pauta densa que tem sobre a mesa nacional". E finalizou: "Quem quiser discutir 2014 que fique bem à vontade, nós vamos discutir 2013 para também ganhar 2014".

PPS, PTB e Cabral. Campos aproveitou a viagem ontem a Brasília para intensificar contatos. Marcou encontro a portas fechadas com PPS na noite de ontem, depois voaria ao encontro do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e na semana que vem tentará encantar o PTB. Na manhã de ontem ainda fez périplo por gabinetes de senadores de seu partido e de outras legendas da base aliada do governo.

Havia tanto mistério em torno do encontro do governador com líderes do PPS que a reunião chegou a ser transferida da sede do PSB. As conversas entre os dois partidos começaram no ano passado, quando o PPS sinalizou disposição para abandonar o tradicional apoio ao PSDB e lançar candidatura própria ou referendar outro candidato.

De Brasília, Campos voaria para conversa extraoficial com Cabral, que se recusou a participar do evento organizado pelo Congresso em protesto à derrubada do veto aos royalties do petróleo, atingindo em cheio os rendimentos de seu Estado. Campos vai se aproveitar do momento sensível do peemedebista que, além de descontente com a nova partilha, avista problemas com o PT por conta da pré-candidatura do senador Lindbergh Farias.

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