Partido racha no Sul e Pont sai da disputa

O deputado estadual Raul Pont (PT-RS) abriu mão, ontem, de concorrer como pré-candidato do partido à Prefeitura de Porto Alegre. Com a desistência, o presidente da Assembleia, Adão Villaverde, passa a ser momentaneamente o nome da sigla para a disputa.

LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h08

Presidente do PT no Estado e ex-prefeito de Porto Alegre, Pont anunciou sua saída de cena afirmando que o partido não havia alcançado consenso. Na segunda-feira, a corrente Movimento PT, da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, decidiu apoiar Villaverde, fazendo com que ele obtivesse 183 (53,2%) dos delegados do partido. Enquanto isso, Pont somava 161 delegados (46,8%).

Esse cenário evidenciou um racha no partido. Pont chegou a falar com o deputado Henrique Fontana, acreditando que ele pudesse ser um nome de consenso, mas o parlamentar não aceitou a proposta.

No PT, contudo, há quem afirme que Pont entrou na disputa para evitar que a legenda aceitasse ocupar o posto de vice em alguma coligação. "Ele chamou as correntes mais à esquerda para a mobilização e, agora, elas não aceitarão que o candidato escolhido assuma de vice em alguma chapa", explicou um dirigente petista gaúcho.

Em reunião no Sindicato dos Bancários, em Porto Alegre, na noite de terça-feira, Pont questionou se o fato de o Movimento PT ter decidido apoiar Villaverde não seria em troca do apoio que o grupo dele deu à então candidata à prefeitura em 2008 Maria do Rosário. "Se o partido está tomando decisões com base em contas passadas, algo está errado", disse Pont.

Mas ainda nada está resolvido em Porto Alegre. Algumas correntes têm preferência por apoiar o nome da deputada Manuela D'Ávila (PC do B) à prefeitura, ao mesmo tempo que seu partido devolva a ajuda em São Paulo, defendendo a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad.

Para os petistas gaúchos, no entanto, o partido dentro do Rio Grande do Sul tem pensamento próprio e não vê constrangimento em negar diretrizes nacionais. "A Prefeitura de Porto Alegre não é moeda de troca para o PT gaúcho", advertiu o dirigente do PT gaúcho.

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