Partido precisa escolher discurso

Faz sentido Eduardo Campos se achar um "vencedor" em 2013, mas é uma vitória relativa. O ano, para o PSB, termina melhor do que começou: conseguiu uma aliada importante e conseguiu dobrar a intenção de votos que tinha.

ANÁLISE: Leonardo Avritzer, cientista político da UFMG, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2013 | 02h09

Mas é preciso relativizar a afirmação. Até aqui, a candidatura do PSB obteve a transferência de um terço dos votos de Marina Silva. Seu primeiro desafio é atrair os outros dois terços, para que não se distribuam entre os rivais. O segundo é o desafio da coerência programática. Campos encontrou-se recentemente com Roberto Rodrigues, ex-ministro de Lula e representante do agronegócio e dos transgênicos.

Não está claro como homogeneizar o discurso de Marina com esse outro campo da política. Na prática, o PSB terá de escolher se quer um discurso mais conservador, para competir com o tucano Aécio Neves, ou mais progressista, contra a petista Dilma Rousseff.

É positivo Marina dizer que "os ganhos não podem ser fulanizados" - a ideia de que programas sociais são políticas de Estado, não de um partido ou de uma pessoa. Mas enxugar ministérios, e governar com alianças programáticas, é coisa que depende de uma ampla reforma política.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.