Parlamentares usam CPI mista como palanque

Na última sessão da comissão antes da realização do 2º turno, defensores de Dilma e Aécio batem boca

Ricardo Brito e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 21h47

BRASÍLIA - A última sessão da CPI mista da Petrobrás antes do 2.º turno, na tarde desta quarta-feira, 22, transformou-se em mais um palco da disputa entre aliados da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e do adversário Aécio Neves (PSDB).

O PT apresentou requerimentos para convocar Aécio e outros quatro tucanos a fim de investigar se integrantes do partido se beneficiaram do esquema de corrupção na estatal. Já o PSDB cobrou a ida à CPI do tesoureiro do PT, João Vaccari, apontado pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa como o responsável por cobrar propina de empreiteiras sob contratos da estatal.

Repetindo o clima de beligerância eleitoral, a tentativa da CPI de convocar lideranças do PSDB e do PT, contudo, só vai se concretizar após o resultado do 2.º turno, no domingo. A comissão não terá uma nova reunião antes da escolha do próximo presidente da República.

Doleiro. A sessão de ontem foi infrutífera, uma vez que o convocado para depor, José Carlos Cosenza, que sucedeu a Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento, não compareceu após ter apresentado um atestado médico. A CPI não conseguiu, diante da ausência da base, quorum mínimo para votar requerimentos de convocação de Vaccari. A única novidade para a investigação foi a marcação do depoimento de Youssef para a próxima quarta-feira.

Coube ao deputado Afonso Florence (PT-BA) tornar pública a tática de envolver o PSDB. Na justificativa ao pedido para convocar Aécio, o deputado petista citou o fato de Costa ter dito, na delação premiada, que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra teria recebido R$ 10 milhões para encerrar a CPI da estatal aberta no Senado em 2009. Guerra, que morreu em março, foi sucedido por Aécio na presidência do partido.

O líder do Solidariedade na Câmara dos Deputados, Fernando Francischini (PR), ironizou a iniciativa do petista. “Deu um surto de convocação! O senhor está rindo da nossa cara”, criticou Francischini.

Para pedir a convocação de outros quatro tucanos, Florence se valeu de declarações de Leonardo Meirelles, apontado pela Polícia Federal como laranja de Youssef, segundo as quais o esquema do doleiro também operava para o PSDB, além de PT, PMDB e PP. Ele quer levar à CPI o vice-líder tucano no Senado, Álvaro Dias (PR), o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) e os tesoureiros da campanha presidencial tucana em 2010 e do partido José Gregori e Rodrigo de Castro, respectivamente.

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