Parlamentares negam ligação com acusados por fraudes

A maioria dos parlamentares citados na planilha de Ilso Dominical, contador do Grupo Demop, negou qualquer tipo de relacionamento com as pessoas apontadas pelo Ministério Público como integrantes do grupo acusado de fraudar em licitações. O Estado procurou nove deputados citados no documento anexado à denúncia do Ministério Público. Apenas o deputado federal Devanir Ribeiro (PT) não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.

Ricardo Chapola e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2013 | 02h09

Segundo as investigações da Operação Fratelli, que desvendou a organização supostamente liderada pelo empreiteiro Olívio Scamatti, os denunciados se valiam de emendas parlamentares, federais e estaduais, para angariar recursos para obras contratadas por administrações municipais em meio a licitações que teriam sido fraudadas. A suspeita é de que parte do dinheiro enviado às cidades acabava desviada.

Os deputados Carlos Cezar (PSB), Arlindo Chinaglia (PT), Enio Tatto (PT) e Jefferson Campos (PSD) afirmaram não conhecer o dono do grupo Demop, o empresário Scamatti, nem Osvaldo Ferreira, o Osvaldin, apontado pelo Ministério Público como lobista do grupo.

Scamatti é acusado pelos promotores de liderar a organização para fraudes com recursos de emendas parlamentares.

Osvaldin é suspeito de pagar propinas e fazer a intermediação do grupo com os agentes públicos, prefeitos e deputados.

"Não tenho e nunca tive relacionamento com nenhuma das pessoas citadas", declarou o deputado estadual Carlos Cezar (PSB-SP), que aparece na planilha ao lado do valor R$ 150 mil e os meses agosto e setembro de 2011.

Arlindo Chinaglia repudiou taxativamente a menção a seu nome no documento apreendido pela Operação Fratelli. Ele pediu à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal que investiguem a inclusão de seu nome no caso. "Não conheço nenhuma das pessoas envolvidas. Requeri à Procuradoria e à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar de forma aprofundada as eventuais citações acerca de meu nome", afirmou.

Otoniel Lima (PRB), Geraldo Vinholi (PSDB) - hoje prefeito de Catanduva (SP) - e João Antonio (PT) admitiram conhecer Osvaldin.

João Antonio, hoje exercendo a função de secretário de Relações Governamentais de Fernando Haddad (PT) na Prefeitura de São Paulo, disse que recebeu dinheiro de Scamatti a título de doação de campanha para deputado estadual em 2010.

Doação. "A empresa Scan Vias fez uma doação de R$ 180 mil em 4 de outubro de 2010, por meio de transferência eletrônica, para a campanha eleitoral de João Antonio para deputado estadual, conforme consta da sua prestação de contas entregue e aprovada pela Justiça Eleitoral", informou o petista por meio de sua assessoria de imprensa.

O criminalista Guilherme San Juan, que defende o contador Ilso Dominical, disse que o caso está sob sigilo, por isso não poderia se manifestar. "Posso assegurar que meu cliente sempre atuou de forma rigorosamente ética e jamais praticou qualquer ato ilícito", destacou San Juan, que está preocupado com o destino das empresas do Grupo Demop. "São empresas grandes, que geram milhares de empregos."

Alberto Zacharias Toron, advogado criminal que defende Olívio Scamatti, observou que não foi intimado sobre a existência da planilha do contador. "Só vou me manifestar após ter acesso a ela (planilha)", disse.

Toron está empenhado em tirar Scamatti da prisão. "Estamos aguardando julgamento de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), que cuida do excesso de prazo na prisão." Ele ressaltou que no curso da ação penal ficará provada a inocência do empresário que defende. "Não houve fraude em nenhuma licitação." / R.C. e F.M.

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