Paralisação no Incra suspende inquérito

A greve do funcionalismo tem atrapalhado até o andamento de investigações tocadas pelo Ministério Público Federal. Por causa das dificuldades para que os órgãos do governo respondam a pedidos de informação, procuradores da República mandam suspender inquéritos até que os servidores voltem ao trabalho.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2012 | 03h06

Portaria publicada ontem no Diário Oficial da União sobrestou por dois meses a apuração de supostas irregularidades no uso de um imóvel público. A Procuradoria da República no Paraná havia solicitado informações ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas não foi atendida.

"O Incra manifestou-se noticiando a greve de seus servidores e a consequente impossibilidade de cumprimento da requisição ministerial", justificou o procurador Robson Martins.

De acordo com a Confederação Nacional das Associações dos Servidores do Incra (Cnasi), em 28 das 30 superintendências do órgão os funcionários aderiram à greve. Nelas, a adesão varia de 70% a 95%. A paralisação impacta o andamento de processos de regularização de imóveis e de assentamentos. Os grevistas apresentaram uma pauta de reivindicações, que inclui melhorias salariais, aumento do orçamento do órgão e a contratação de mais 3 mil pessoas. Segundo a entidade, dos 5,5 mil servidores efetivos do Incra, dois mil devem se aposentar até o fim do governo Dilma. Por causa dos cortes orçamentários, não tem sido possível cumprir as metas definidas no programa de reforma agrária.

"No ano passado, houve contingenciamento de 25% do orçamento. Previa-se o assentamento de 50 mil famílias, mas fizeram só 20 mil", reclama o diretor da Cnasi, Reginaldo Aguiar, que acusa o governo de intransigência. "O órgão já estava paralisado. A greve só agravou esse quadro." / F.F.

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