Para viabilizar nome, Campos vai à direita

Governador de PE fecha acordo com os Bornhausen e flerta com DEM; segundo professor, estratégia não é suficiente para torná-lo competitivo

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h06

Ao contrário do que aconteceu com o então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva - que em 2002 se aliou à centro-direita, superou obstáculos e venceu a eleição para a Presidência da República -, só a aliança com esse setor não será suficiente para dar competitividade, na corrida presidencial, ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

A avaliação é do cientista político Fábio Wanderley Reis. "A centro-direita está se aproximando de Campos porque não tem outra perspectiva. Se tivesse, não o apoiaria", disse Reis. "E ainda é uma incógnita a quantidade de votos que poderá transferir para ele."

No mês passado, o deputado Paulo Bornhausen (SC), ex-DEM e ex-PSD, filho do ex-senador Jorge Bornhausen, histórico adversário dos petistas, filiou-se ao PSB e passou a presidir o diretório estadual do partido. Campos abonou a ficha de filiação do parlamentar.

Legenda insignificante até então em Santa Catarina, o PSB espera eleger cinco deputados nas próximas eleições, todos aliados dos Bornhausen, além de dar um reforço expressivo a Eduardo Campos.

DEM. O movimento do DEM na direção de Campos aumentou depois das manifestações de rua de junho. Com elas, a popularidade da presidente Dilma Rousseff despencou 27 pontos porcentuais em três semanas. A queda levou o PT a avaliar que Dilma não mais conseguirá vencer a eleição no primeiro turno e animou a oposição.

Nessa movimentação, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), anunciou que trabalharia para levar o partido a se aliar a Campos. Na quarta-feira, o parlamentar disse que não aguardaria uma posição de seu partido. Anunciou ter tomado a decisão de apoiar a candidatura do governador de Pernambuco. E afirmou que faria um trabalho de formiguinha dentro do partido para conseguir mais adesões ao candidato do PSB.

Adversário histórico de Campos, o ex-governador pernambucano Mendonça Filho (DEM) afirmou que são grandes as possibilidades de seu partido marchar com o presidente do PSB. "O Eduardo Campos está do lado do governo do PT. Mas se ele se candidatar, tomará uma postura de oposição. Não vejo nenhuma dificuldade em trabalhar com ele."

Para Fábio Wanderley Reis, a adesão da centro-direita não garante sucesso para Campos porque a diferença entre ele e Lula é muito grande. "Quando Lula se aliou à centro-direita para conseguir o vice José Alencar (então do PL, hoje PR), já era um candidato conhecido, que tinha disputado três eleições. Campos, pelo contrário, é pouco conhecido", disse. Reis afirmou ainda que não se pode nem dizer que a situação do governador de Pernambuco é tranquila no Nordeste, região ainda dominada pela dupla Lula-Dilma.

Com ajuda ou não, Eduardo Campos tem se movimentado no Sul e no Sudeste depois que a onda de protestos passou. Há uma semana ele esteve no Rio Grande do Sul para encontros políticos e levou sua mensagem a outro partido de centro-direita, o PP, que hoje participa da base da presidente Dilma Rousseff. "O Eduardo Campos tem um discurso moderno, que agrada a todos. Mas as conversações ainda estão no início", disse a senadora Ana Amélia, a maior liderança do PP no Estado.

Enquanto tenta se aproximar dos partidos habitualmente caracterizados como de centro-direita, Campos sofre cobrança dentro de seu próprio partido. O PSB de São Paulo, por exemplo, quer que ele declare até o fim deste mês que é candidato. Isso levaria o PSB a entregar todos os cargos que tem no governo federal.

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