Para Simão Jatene, vão sobrar mágoas entre os derrotados

Governador diz que novo desafio será unir o Estado em torno de propostas de desenvolvimento e de um novo pacto federativo

ALINE BRELAZ, ESPECIAL PARA O ESTADO / BELÉM, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h05

O governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), que já havia se pronunciado contra a divisão do Estado, disse ontem, após votar, que ficarão mágoas no lado derrotado na disputa. Segundo ele, o grande desafio a partir do resultado das urnas será conter as sequelas, reunir todos os lados da disputa para lutar pelo desenvolvimento do Estado. Para ele, a única saída para o desenvolvimento é um novo pacto federativo.

"É um interesse natural das pessoas quererem ter mais saúde, segurança, educação. Sem dúvida alguma isso pressupõe rediscussão de responsabilidade, de direitos, há projetos de redivisão de Minas, São Paulo e outros, porque efetivamente o Estado brasileiro não consegue chegar onde o povo precisa", avaliou.

Jatene admitiu ainda que há interesse político por trás do movimento de divisão do Pará, mas disse que também sabe que há o sentimento genuíno de pessoas que lutam pela melhoria da qualidade de vida de suas regiões.

Divisão. Para o governador paraense, independentemente do resultado do plebiscito, o direito da maioria tem de ser respeitado, mas não se pode desconsiderar o direito, que é legítimo, da minoria acreditar que dividindo seria melhor.

Jatene acredita que o plebiscito será positivo para que o povo paraense tenha uma ideia mais clara da questão territorial do Estado do Pará e do tamanho do desafio da administração estadual para superar as mazelas sociais históricas.

"Temos enormes dificuldades, mas não tenho dúvida que o único caminho é nos unirmos para superar os inúmeros desafios. Não dá para aceitar que neste país, os recursos naturais beneficiem as empresas e não se tornem em benefícios para seu povo. O sistema fiscal brasileiro é extremamente perverso com o Estado do Pará", criticou.

Porém, o governador disse que tem grande dificuldade em admitir que membros de sua base aliada no legislativo estadual possam trabalhar a partir do resultado do plebiscito contra o Estado.

"É preciso distinguir os interesses do governo e do Estado", enfatiza Jatene, que tem grande parte da base aliada na Assembleia Legislativa defendendo a criação do Carajás e do Tapajós, inclusive, o vice-líder da bancada governista, João Salame, presidente da frente pró-Carajás, assim como o líder do PSDB, José Megale, que integra a frente pró-Tapajós.

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