Para Serra, Marta era nome mais forte

Ex-governador de São Paulo diz que PT errou ao obrigar a senadora a desistir de sua candidatura a prefeita em prol de Fernando Haddad

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2011 | 03h01

O ex-governador José Serra não aceita falar em uma possível candidatura à Prefeitura de São Paulo, mas disse ontem que a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, que desistiu de participar das prévias do PT na semana passada, teria mais chance de vitória que o ministro Fernando Haddad, preferido do ex-presidente Lula e de sua sucessora Dilma Rousseff.

"Eu achava a Marta uma candidata fortíssima do PT. Era a mais forte. Eles não optaram pela candidata mais forte", afirmou o tucano, que participou de um seminário do PSDB no Rio.

Reservadamente, no entanto, alguns tucanos avaliam que Haddad é um nome forte porque não sofreu o desgaste imposto a Marta nas eleições de 2004 e 2008, quando ela foi derrotada. "Haddad é a Marta de 2000", resumiu um pré-candidato do PSDB, referindo-se à eleição em que a senadora conquistou a Prefeitura.

Questionado se tem um prazo para informar ao partido se disputará ou não a sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), Serra reagiu: "Não vou ficar o tempo inteiro falando disso."

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também presente ao seminário, foi só elogios ao companheiro de partido. "Serra é um dos melhores quadros do PSDB, uma liderança nacional. Ao que ele for (candidato), terá nosso apoio", disse o líder tucano, que terá peso importante no processo de escolha do candidato do partido.

Da mesma forma como fez suspense sobre sua candidatura à Presidência da República em 2010 e agora não fala de planos eleitorais para 2012, Serra manteve até o último momento dúvidas sobre sua presença no encontro do PSDB. O ex-governador chegou com uma hora e meia de atraso e pegou de surpresa muitos companheiros de partido. Serra estava em Londres e só na noite de domingo telefonou para a organizadora do seminário, Elena Landau, e avisou que chegaria a tempo para o seminário.

Serra não gostou dos comentários sobre a surpresa com sua chegada. "É pura futrica", reclamou. "Eu estava viajando e não sabia se conseguiria um voo de volta. E ainda saiu com três horas de atraso", explicou. Na semana passada, as especulações entre os tucanos eram de que Serra não iria porque o seminário, que teve o empenho direto do senador mineiro Aécio Neves, que tem se movimentado internamente para viabilizar a candidatura a presidente em 2014. Outro fator lembrado foi que Serra queria fugir das perguntas sobre seu futuro político e a possível candidatura a prefeito.

O ex-governador, no entanto, mudou de planos e reservou um voo para o Rio, onde chegou de madrugada. "Estou morrendo de sono", comentou, ao final do seminário, antes de embarcar para São Paulo. Serra chegou no final da primeira mesa de discussão, sobre a área econômica, a tempo de ver apenas os debatedores Gustavo Franco, Armínio Fraga, Persio Arida e Armando Castelar responderem as perguntas da plateia.

No intervalo, embora não tão assediado quanto Aécio, Serra posou para fotos e cumprimentou tucanos de várias partes do País. Conversou com antigos companheiros de ministério do governo FHC, como Pedro Malan. E negou qualquer divergência com o ex-titular do Ministério da Fazenda. "Todos que me apoiaram na minha campanha são meus amigos", disse Serra, para encerrar questionamentos seu relacionamento com os tucanos e simpatizantes do PSDB.

De volta ao Brasil, Serra vai se empenhar em uma nova empreitada: a proposta de que seja criada uma lei com regras mais rígidas para a ocupação de cargos comissionados no Executivo. O ex-governador sugeriu que o PSDB apresente uma proposta no Congresso. "É preciso adotar uma medida para que todos os cargos em comissão exijam currículo. Só pode colocar no cargo que livre nomeação quem tenha um currículo mínimo."

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