Para PT e PSDB, oferta de Kassab a Lula é blefe

Prefeito ofereceu ao ex-presidente a indicação do vice de Haddad, mas ação foi interpretada como pressão pela manutenção da aliança com PSDB

O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2012 | 03h04

A proposta de uma aliança na eleição para a Prefeitura de São Paulo feita pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebida com desconfiança no PT e no PSDB.

Segundo a coluna Radar da revista Veja deste final de semana, no encontro que Kassab teve com Lula, na quarta-feira passada, o prefeito discutiu a possibilidade de apoiar a candidatura de Fernando Haddad, do PT, em troca da indicação do candidato a vice. Como Kassab pressiona o PSDB para que o partido apoie o PSD na eleição municipal, a conversa com Lula - e a divulgação do seu conteúdo - foram interpretadas como pressão do prefeito sobre os aliados tucanos.

No ano passado, Kassab propôs ao PSDB uma aliança pela qual ele indicaria o candidato a prefeito - o vice-governador Guilherme Afif Domingos - em troca do apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin em 2014. A proposta esbarrou na resistência de Alckmin e o PSDB postergou o debate sobre a aliança, apesar de o prefeito pressionar por uma posição ainda este mês.

O encontro com Lula foi interpretado, entre líderes petistas, como parte dessa pressão. Eles acham difícil que uma proposta de aliança passe no PT municipal, mesmo que o vice do PSD seja o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que tem relação de proximidade com Lula. Segundo assessores, Haddad, que deixa o MEC no dia 16, não ouviu de Lula nenhum comentário sobre a proposta.

"A intenção do Kassab é indicar um candidato dele", disse o vereador Chico Macena, secretário de Comunicação do PT paulistano. "É um erro imenso o PT entrar neste debate. Isso é especulação", avaliou o presidente do PT paulista, Edinho Silva. Em seu blog, o ex-ministro José Dirceu escreveu, ontem, que a proposta de Kassab "é um retrato do isolamento e da confusão em que vive a oposição tucana".

Tucanos. Na negociação com o PSDB, o prefeito disse que abriria mão da cabeça de chapa se o candidato fosse o ex-governador José Serra. Mas, no momento em que precisa fortalecer o PSD, os tucanos avaliam que ele prefere candidatura própria para formar sua bancada de vereadores. "Kassab já nos disse que precisa ter a cabeça de chapa para defender sua administração. O aceno para o PT faz parte do jogo dele", afirmou um tucano. O presidente do PSDB municipal, Julio Semeghini, avisou porém que o partido insistirá na aliança com o PSD. "Não vamos abrir mão do Kassab", disse o deputado Ricardo Tripoli, um dos pré-candidatos a prefeito do PSDB./ JULIA DUAILIBI, DAIENE CARDOSO e LISANDRA PARAGUASSÚ

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