Para PT, bloco PR-PTB dificulta pacto eleitoral

União das siglas deve fortalecer o PR, que quer mudança nos Transportes, e aumentar tensão na base, o que não ajuda Haddad

Julia Duailibi e Rafael Moraes Moura

05 de abril de 2012 | 03h09

A formação do bloco PTB-PR no Senado foi recebida com ceticismo pelos petistas de São Paulo, para quem a ação conjunta dos dois partidos insatisfeitos com o governo federal fortalecerá as demandas das legendas no Congresso e nas articulações para a eleição.

Os petistas trabalham nos bastidores para amarrar o PR na candidatura de Fernando Haddad em São Paulo. Avaliam, no entanto, que a aliança com o PTB, ao fortalecer o PR, criará mais dificuldades nas negociações e deixará ainda mais tensa a relação com o Planalto.

O PR condiciona a aliança eleitoral ao tratamento que receber do governo, que passa pela discussão sobre o controle do Ministério dos Transportes. Depois de romper com o Palácio do Planalto há três semanas, o PR anunciou a volta para a base governista ao formar o bloco com o PTB, constituindo a terceira maior força no Senado.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta quarta-feira, 4, ser importante que a base aliada esteja "unida" na campanha em São Paulo. "Evidente que é (fundamental), em qualquer campanha, ter a base aliada unida e trabalhando junto", declarou após participar de reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no Palácio do Planalto.

Sapato. Carvalho comentou as declarações da senadora Marta Suplicy (PT-SP) sobre a campanha de Haddad. "Todos nós temos de usar a sola do sapato", disse ao ser questionado sobre a afirmação da ex-prefeita. Em entrevista ao Estado na semana passada, Marta reagiu aos pedidos de apoio dos petistas mandando Haddad "gastar sola de sapato". "Além disso, as alianças farão diferença", continuou a senadora. "O restante é conhecer os problemas da cidade e conquistar a militância. Ninguém pode substituir nem fazer isso pelo candidato", concluiu Marta, preterida na disputa como candidata do PT à prefeitura.

O ministro não soube dizer quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve entrar na disputa. "Não dá para se fixar uma data. (Lula) já tem ajudado muito com os telefonemas e tal, tem conversado, mas ele prometeu ter muito cuidado e juízo porque percebeu o quanto a saúde é importante", disse Carvalho.

O ministro comentou, ainda, que já fazia alguns dias que esteve com o ex-presidente. "Pelo que sei, Lula está em uma lenta recuperação, que exige prudência, com tratamentos de fonoaudiologia e fisioterapia".

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