Para PSDB e PPS, acusação de Jefferson contra Chinaglia é grave

Representantes de siglas da oposição afirmam que declaração de dirigente do PTB deve ser levada a sério e investigada

DÉBORA BERGAMASCO/ BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h07

A oposição classificou de "grave"a afirmação do presidente do PTB, Roberto Jefferson, segundo a qual Arlindo Chinaglia (PT-SP) o procurou em 2005 para pedir silêncio sobre as denúncias do mensalão em troca da manutenção do mandato do petebista. À época Chinaglia era líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara - mesmo cargo que ocupa hoje, no governo Dilma Rousseff. A afirmação de Jefferson foi feita em entrevista publicada ontem pelo Estado.

Ainda de acordo com o presidente do PTB, Chinaglia prometeu colocar um "delegado ferrabrás" (faz-de-conta) na investigação aberta na Polícia Federal que tinha Jefferson como um dos alvos. Esse policial, ainda segundo o dirigente do PTB, seria responsável por indiciá-lo ou não.

Além de recuar da denúncia de que havia um processo de pagamento mensal de parlamentares no governo, Jefferson deveria ser substituído na presidência do PTB pelo então ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia. O ex-deputado, que acabou cassado pelos colegas, afirmou ainda que não aceitou a oferta porque "viveria de joelhos, sairia pela porta dos fundos".

Jefferson tornou pública a existência de pagamentos de parlamentares pelo governo após ver seu partido, que controlava os Correios, virar alvo de denúncias de corrupção. O governo sempre negou pagamentos em troca de apoio e apresentou a versão segundo a qual o dinheiro era caixa 2 de campanha.

'Não foi comigo'. Chinaglia confirmou que foi à casa de Jefferson na época citada, mas negou ter feito proposta de acordo. "Se existiu essa conversa, não foi comigo", afirmou o petista.

No PPS, o clima é de "eu já sabia". "Não me surpreendo porque estão até agora tentando usar do lícito e do ilícito para encobrir o mensalão. Com empenho amplo, total e irrestrito do PT", afirmou o deputado Roberto Freire (SP), presidente do partido, que completou: "A novidade é a participação também do Chinaglia. É um personagem novo em uma história velha".

O deputado Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, fez apelo para que a denúncia contra Chinaglia seja levada em consideração. "Tudo o que Jefferson falou até hoje foi comprovado."

O deputado ACM Neto (DEM-BA) destacou a tentativa de uso da Polícia Federal. "O grave do fato é quando Chinaglia oferece colocar um 'delegado ferrabrás' que poderia manipular o processo do Roberto. Vê-se aí mais um movimento do dedo forte do governo que usa o aparelho do Estado brasileiro para a defesa de interesses políticos do PT."

'Cautela'. Já o deputado Chico Alencar (RJ), líder do PSOL na Câmara, pediu cautela. Afirmou que Jefferson, o delator do mensalão, "mistura mentiras com verdades" e, por isso, Chinaglia deveria desafiá-lo a comprovar suas declarações. Ele acrescentou: "Se essa proposta indecorosa de fato aconteceu, é um fato gravíssimo, que revela relações inadequadas, mostrando mais um indício de que o mensalão não é uma história de ficção como os petistas tentam colocar".

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