Para presidente do conselho, situação de Demóstenes é 'grave'

Valadares assumiu comando do colegiado que vai analisar processo de cassação do senador, que foi notificado ontem

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h07

O presidente interino do Conselho de Ética do Senado, Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), considera "grave, delicada e decepcionante" a situação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que responde a processo de cassação por quebra de decoro parlamentar.

Demóstenes é acusado de envolvimento com a organização criminosa comandada pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Notificado ontem, Demóstenes tem dez dias úteis para apresentar a defesa prévia, mas suas chances são remotas por causa do sentimento generalizado de decepção na Casa. "Ninguém esperava isso de uma pessoa da envergadura política do senador Demóstenes, que comandava uma oposição agressiva, calcada na ética", explicou Valadares, que ontem recebeu o apoio do PMDB para ocupar definitivamente a presidência do órgão. "Para resumir tudo numa palavra, o sentimento é de frustração para o Congresso e o País."

Hoje, às 10h, será definido o relator do processo por sorteio na comissão. Caberá ao relator receber a defesa de Demóstenes e fazer um relatório preliminar com base nela. Se o relatório indicar o prosseguimento do processo de cassação, o rito prevê a abertura de prazo para ouvir testemunhas, colher depoimentos e produzir provas.

Prazo. Valadares acredita que, diante da necessidade de dar resposta rápida à situação, o processo deverá estar concluído em 60 dias. Para subsidiar o processo e facilitar a produção de provas, o senador encaminhará hoje ao Supremo Tribunal Federal (STF) novo pedido de compartilhamento do inquérito criminal aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República contra Demóstenes.

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