NIlton Fukuda/Estadão
NIlton Fukuda/Estadão

Para petistas, corrupção não é marca exclusiva da sigla

Em Heliópolis, zona sul de SP, eleitores de Dilma falam dos reflexos dos escândalos do partido na hora do corpo a corpo

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 03h00

A funcionária pública Sueli Soares não titubeia na hora de dizer por que não vai votar no PT no domingo: “É muito ‘mensalada’, ‘petrobrasada’”, afirma a servidora, fazendo uma livre adaptação dos últimos escândalos de corrupção que envolveram o partido.

O argumento é prontamente rebatido pelo militante petista Raimundo Bonfim, que coordena a Central de Movimentos Populares da sigla em São Paulo. “Você acha que foi o PT quem inventou a corrupção?”

Sueli para, pensa, e diz que sabe que corrupção é coisa antiga no País. Ela, porém, afirma que cansou do PT e que a solução, neste ano, vai ser votar em Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência.

Bonfim não se dá por vencido. Fala que o País avançou muito durante os 12 anos dos governos petistas e garante que a presidente Dilma Rousseff é a melhor opção neste 2.º turno. Por fim, entrega um exemplar do jornal Brasil de Fato, em que uma das matérias registra no título: “Corrupção é a marca dos governos tucanos”.

Sueli ouviu o que ele tinha a dizer, mas deixou a mercearia onde fazia compras em Heliópolis, bairro pobre da zona sul de São Paulo, afirmando que o seu voto iria mesmo para o candidato do PSDB. Sem desanimar, o militante petista ainda percorreria as ruas do bairro por mais uma hora tentando convencer as pessoas a votarem em Dilma. “Vai ser assim até domingo. Todo voto é importante”, disse.

Durante o tempo em que a reportagem acompanhou Bonfim e outros dois militantes em Heliópolis, a corrupção foi o principal motivo apontado pelas pessoas para não votar no PT. O petista admite que esse foi um problema desde o 1.º turno, mas acredita que a campanha de Dilma na TV conseguiu arrefecer a ideia de que estar envolvido em atos de corrupção é exclusividade dos petistas.

“No início, foi muito difícil. Tivemos que ter muita coragem de ir pra rua e fazer o debate, principalmente sobre corrupção. Mas hoje a gente já está conseguindo fazer esse debate de igual para igual”, afirmou.

Sem mencionar o escândalo da Petrobrás, que assombra os petistas nos últimos meses, Dilma usou o horário eleitoral na TV para fazer um duro discurso contra a corrupção. Argumentou, por exemplo, que mais casos foram descobertos durante o governo do PT porque o partido dá liberdade para que órgãos como a Polícia Federal façam as suas investigações.

O PT também mostrou que havia uma série de denúncias que envolviam o PSDB, como o caso do cartel no metrô de São Paulo, o mensalão mineiro e as denúncias de compra de votos para aprovação da emenda da reeleição no governo de Fernando Henrique Cardoso. 

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