Para pedetistas, Lupi mancha imagem da sigla

Deputados avaliam que insistência do ministro em ficar no cargo mesmo após a decisão do Comissão de Ética pode atrapalhar planos do partido

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2011 | 03h05

A situação do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, no governo e no PDT é cada dia mais delicada. Diante da decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República de recomendar à presidente Dilma Rousseff a demissão do ministro, a cúpula pedetista espera que Lupi avalie se vale à pena continuar debaixo de um bombardeio que, no final das contas, está atingindo em cheio a credibilidade da sigla. Ninguém pretende, no entanto, sugerir diretamente ao ministro que ele peça demissão.

"Cabe ao ministro uma reflexão: se ele quer continuar sendo manchete de jornal toda semana. É uma situação que não é confortável para ninguém. É uma situação desgastante", afirmou ontem o presidente interino do PDT, deputado André Figueiredo (CE). "O Lupi está provocando desgaste do partido, que atinge a todos. Ele está no ministério como um representante do PDT e não como um indivíduo", emendou o deputado Brizola Neto (PDT-RJ).

Na avaliação de integrantes do PDT, a presidente Dilma Rousseff deu chance para uma "saída honrosa" de Lupi quando resolveu solicitar informações sobre os motivos que embasaram a recomendação da Comissão de Ética de sugerir a demissão do ministro. Dilma, que viajou ontem para Venezuela e volta na madrugada de sábado, só deverá receber formalmente as informações no início da semana que vem. Será tempo suficiente para Lupi avaliar a viabilidade de manter-se no governo.

Um dos argumentos que vêm sendo usados para motivar Lupi a deixar a pasta é poupar a família "dos dissabores" causados pelas denúncias. Pai de três filhos, o ministro estaria sensível a essa argumentação. Mas, por enquanto, interlocutores dele dizem que Lupi está disposto a resistir.

Tanto é assim que, no encontro com a presidente Dilma Rousseff ontem pela manhã, o ministro avisou que faz questão de ir à Comissão de Ética para se defender. "Ele (Lupi) espera reverter a decisão da comissão. Ele tem mostrado claramente que vai resistir e que não quer sair como mais um ministro taxado de corrupto", disse Figueiredo.

Em defesa do ministro, os pedetistas alegam que a própria presidente Dilma não ficou convencida da recomendação da Comissão de Ética e pediu mais detalhes sobre os motivos que levaram os conselheiros a sugerir a exoneração de Lupi. "Se a presidente Dilma não o exonerou é porque ela deve ter argumentos suficientes para tomar essa decisão de mantê-lo. Afinal, a comissão sugeriu a demissão do ministro e a presidente não acatou", observou o presidente do PDT.

A avaliação de pedetistas é que a insistência de Lupi em permanecer no ministério está prejudicando seriamente o partido. "A decisão de mantê-lo é da presidente Dilma. Desde o início da crise, eu defendi o afastamento dele. Se isso tivesse ocorrido, talvez ele não estivesse passando agora por esse constrangimento da Comissão de Ética", disse Reguffe (PDT-DF). "Do meu ponto de vista, o melhor para o Lupi é ele deixar o cargo", afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

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