Para os nanicos, seria um 'sonho', 'uma grande aquisição'

Sete partidos, boa parte sem representação na Câmara dos Deputados, se oferecem para abrigar o presidente do Supremo

João Domingos e Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2013 | 02h13

Ao responderem na semana passada a enquete do Estado, que perguntou aos 32 partidos políticos do Brasil se eles filiariam o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, para lançá-lo candidato a algum cargo eletivo no ano que vem, os nanicos responderam com empolgação. A maioria de seus dirigentes afirma que ter Barbosa como correligionário seria um "sonho" ou "uma grande aquisição".

Dizem estar de portas abertas: PMN, PRP e PT do B, que juntos têm cinco deputados federais ; e PTC, PRTB, PHS e PEN, sem representação na Câmara dos Deputados.

O PEN, que tentou filiar a ex-ministra Marina Silva, diz esperar ter mais sorte com Barbosa. "Nosso primeiro sonho foi a Marina. Mas ela, em vez de procurar o novo, voltou-se para o velho ao se filiar ao PSB. Estamos no nosso segundo sonho, que é ter nas nossas fileiras, e disputando a Presidência da República, o ministro Joaquim Barbosa", afirma o presidente da sigla, Adilson Barroso.

O presidente do PRTB, Levy Fidelix, do homem o aerotrem, afirma que também quer Barbosa na sua legenda. Mas, como é pré-candidato a presidente, diz que o presidente do Supremo seria um ótimo vice em sua chapa. "Seria um reforço tremendo. Nossa chapa ficaria muito forte e tenho certeza de que venço a disputa", afirma.

Fidelix diz que, se Barbosa "batesse o pé", até cederia a vaga de candidato principal. "Não é por isso que vamos brigar".

'O que quiser'. Para Divinomar do Nascimento, tesoureiro do PTC, Barbosa seria "uma grande aquisição". Antonio Neto, secretário nacional do PRP, disse que o ministro do Supremo poderia ser o que quisesse na sigla. "Ofereceremos legenda a ele com absoluta certeza para o que ele quiser ser: presidente, vice-governador ou senador". Telma Ribeiro, presidente do PMN, declarou: "Claro que daríamos legenda para ele". O deputado Luiz Tibé (MG), afirmou: "O PT do B está aberto a Joaquim Barbosa".

As "declarações de amor" dos partidos nanicos ao presidente do presidente do Supremo não são correspondidas pelo magistrado. Em maio, durante durante uma palestra no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), Barbosa afirmou que existem no País "partidos de mentirinha". Não foi uma referência aos partidos pequenos, mas a todo o quadro brasileiro.

"Temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum deles. E tampouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder."

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