Para opositores, exposição baixa limita desempenho

Tanto Aécio Neves quanto Eduardo Campos avaliam que, agora, pesquisas beneficiam quem tem a máquina federal nas mãos

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 02h15

Apesar de oscilarem negativamente na pesquisa Ibope divulgada anteontem, os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) confiam que poderão alcançar patamares mais elevados de intenção de voto quando se tornarem mais conhecidos do eleitorado. No entorno de Aécio e Campos, a avaliação comum é que ambos ainda possuem poucos instrumentos de visibilidade e este cenário deve ser mantido até julho de 2014, quando a disputa de fato começará.

Nesse sentido, tucanos avaliam que falta muito tempo até a campanha e no mesmo período em 2009 o então futuro candidato da legenda, José Serra, tinha o dobro das intenções de voto de Dilma Rousseff (PT) - que acabou sendo eleita.

"O dado que me parece relevante é de que 60 a 65% da população brasileira não quer votar na atual presidente da República, mesmo ela tendo uma exposição diária, na mídia, quase com uma lavagem cerebral. Nós temos uma candidata à presidente fulltime, marketing. O que eu percebo é um sentimento que divido com vários companheiros: o candidato que chegar no segundo turno será vitorioso, o ciclo do PT será encerrado", afirmou Aécio ontem em Curitiba, onde participou da abertura do encontro regional do PSDB no Sul.

A legenda tucana mantém a estratégia de tentar renovar a imagem do partido mostrando Aécio como um líder carismático, próximo do povo e com feitos no governo de Minas Gerais.

Tática parecida possui Campos. O governador pernambucano, no entanto, tentará se apresentar como o mais qualificado para disputar um eventual segundo turno com Dilma.

"Numa eleição em dois turnos, e tenho certeza que essa vai para o segundo turno, o desafio é passar do primeiro. Se for avaliar desse ponto de vista, a diferença do Eduardo para os outros dois candidatos (Marina e Aécio) diminuiu", afirmou o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF).

Expectativa. Mesmo com a saída formal do PSB do governo Dilma, anunciada semana passada, os petistas ainda nutrem esperanças na continuidade da aliança histórica entre as legendas. O otimismo se deve aos baixos índices de intenção de voto em Eduardo Campos - em março, conforme o Ibope, o governador tinha 3%, passando para 5% em julho e 4% na mais recente pesquisa.

Embora os porcentuais mostrem que a intenção de voto no governador pernambucano se mantém estagnada, lideranças do partido já dão como certa sua futura candidatura.

PSB e PSDB insistem que Dilma, por ocupar a cadeira presidencial, se beneficia da forte exposição diária na mídia. "Imaginava até que ela estivesse mais forte agora, se levarmos em conta a brutal distorção em termos de exposição pública, de instrumentos de mobilização de apoios dos temas do governo, inclusive na política. Por enquanto, o grau de exposição dos pré-candidatos é mínimo comparando com ela", disse o líder tucano no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), que tem acompanhado Aécio nas viagens do mineiro pelo País.

Viagens, palestras, reuniões e aparições contidas nas inserções de suas legendas na TV, são apostas de PSB e PSDB, únicas formas permitidas até meados do ano que vem para tornar os presidenciáveis mais conhecidos sem fazer campanha antecipada.

Para os petistas ,as respostas dadas por Dilma às manifestações de junho justificam a recuperação dela na pesquisa.

"Ela vem enfrentando barreiras, controvérsias e isso mostra que a presidente coloca a responsabilidade de governar em primeiro lugar. A população compreende isso", afirmou o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PI).

Serra. Ontem, na capital paranaense, Aécio voltou a ser perguntado sobre as pretensões de José Serra. O senador mineiro negou que o ex-governador paulista seria uma "carta fora do baralho" na disputa presidencial e fez elogios ao correligionário.

"De forma nenhuma, é um privilégio para o PSDB ter um quadro feito o José Serra, que bom que ele está no PSDB, o que depender de nós continuará no PSDB. A minha confiança é que estaremos juntos lá na frente", afirmou Aécio. "Temos como objetivo encerrar esse ciclo do PT. O PSDB não tem a decisão de uma candidatura. Isso ocorrerá no ano que vem. A nossa unidade que nos levará à vitória. Vamos respeitar sua decisão". / COLABOROU JULIO CESAR LIMA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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