Para o candidato do PRB, pesquisa é duplamente boa

Análise: José Roberto de Toledo

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h13

Ao mostrar que a liderança de Celso Russomanno (PRB) segue inabalada, a pesquisa Ibope reforça a percepção entre tucanos e petistas de que só lhes resta brigar entre si pela outra vaga no segundo turno. Ou seja, valida a tática que as campanhas de José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) já haviam adotado esta semana: atacar um ao outro. É mais um motivo para Russomanno comemorar, pois renova os motivos que o levaram aonde está.

Após dobrar de intenção de voto logo após o início da propaganda eleitoral na TV, Haddad não cresceu nas últimas duas semanas. Do ponto de vista dos petistas, o novo Ibope sugere que as declarações explícitas de apoio de Marta Suplicy e da presidente Dilma Rousseff não surtiram o efeito desejado. Na perspectiva dos tucanos, confirma a ideia de que os ataques diretos estão conseguindo evitar a transfusão de votos de Serra para Haddad.

Não importa se essas conclusões estão corretas. Importa qual a reação das campanhas de Serra e de Haddad. É tentador privilegiar a versão na qual se quer crer. Assim, é provável que os tucanos insistam nos ataques ao rival petista, mesmo que o efeito colateral do aumento da agressividade seja uma rejeição crescente a Serra. O PT, por sua vez, deve seguir ironizando o tucano. No fim, os dois lados realimentam o círculo vicioso que abriu espaço para a terceira via e para Russomanno.

Entre os eleitores com nível superior, por exemplo, o petista foi de 15% para 12%, mas o tucano também oscilou negativamente, de 26% para 23%. Quem ganhou foi Russomanno: foi de 19% para 31%.

Esse cenário é ideal para o candidato do PRB. Ele deixa de ser o alvo prioritário dos rivais e ainda assiste, do alto, a ambos se engalfinharem. O resultado dessa combinação pode ser medido pelas simulações de segundo turno. Russomanno aparece com o dobro das intenções de voto de Haddad e Serra. E quando o cenário testado não contempla o seu nome, a taxa de eleitores que optam pelo branco, nulo ou ficam indecisos salta para 30%.

A campanha negativa tende a rebaixar o teto de Serra e de Haddad. O máximo de intenção de voto a que chegam nesta pesquisa é 37% para o petista e 33% para o tucano - na simulação de um confronto direto. Enquanto isso, Russomanno chega a 52% no segundo turno, a 27% na espontânea (que mede o voto mais consolidado) e não passa de 12% de taxa de rejeição.

A tática tucano-petista de fomentar agressões recíprocas pode levar um dos dois candidatos a ganhar a batalha do primeiro turno, mas aumenta consideravelmente o risco de perderem a guerra da eleição.

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