Para ministra do Meio Ambiente, críticas de Marina são inverdades

Na véspera da Cúpula do Clima, Izabella Teixeira rebate fala de ex-ministra, que classificou governo Dilma de retrocesso

Rafael Moraes Moura, ENVIADO ESPECIAL

22 de setembro de 2014 | 21h22

NOVA YORK - Com a pauta ambiental levada ao centro do debate político, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse em entrevista ao Estado que as críticas feitas contra a gestão do governo Dilma Rousseff na área são de pessoas que “não conhecem” o trabalho executado nos últimos anos. 

Sem citar nomes, mas mirando na candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, Izabella disse que se os críticos conhecessem mais o governo “talvez as críticas pudessem ser feitas em outro patamar”. “Não é que eu não aceite críticas, eu gosto de ter críticas com base na verdade”, disse a ministra. 

Marina tem reforçado nos últimos dias o discurso contra a política ambiental da presidente Dilma Rousseff. Anteontem, a candidata do PSB afirmou que Dilma “é um retrocesso na agenda do desenvolvimento sustentável”. Após reunião com ambientalistas em Manaus, Marina - que ocupou a pasta do Meio Ambiente durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - disse que o “atual governo tem implantado medidas que só fazem andar para trás na questão ambiental”. No programa eleitoral exibido na televisão, ela já acusou o governo Dilma de não ter dado prioridade para a questão do desmatamento. 

“O que temos hoje é um ministério que trabalha com todos, que busca o diálogo, a nossa carteira de investimentos é enorme”, afirmou Izabella, que conversou com a reportagem em Nova York, onde será realizada hoje a Cúpula do Clima. 

O evento é um fórum das Nações Unidas que reunirá chefes de Estado do mundo inteiro para anunciar ações ambiciosas e iniciativas de impacto na área de mudanças climáticas. Ontem, o governo brasileiro confirmou oficialmente a presença da presidente Dilma Rousseff na cúpula. 

“Porque aí se fala que aumentou o desmatamento de 2012 para 2013, mas não fala que aumentou de 2007 para 2008 e que nós temos as quatro menores taxas (de desmatamento da série histórica). Eu gostaria que ela (Marina) falasse (sobre o crescimento entre 2007 e 2008)”, disse a atual ministra. “Os nossos números de combate ao desmatamento são imbatíveis. Não conhecem o trabalho que foi feito. Se conhecessem realmente, talvez as críticas fossem colocadas numa direção mais construtiva.” 

Segundo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a taxa de desmatamento na Amazônia Legal para o período agosto/2012 a julho/2013, foi de 5.891 km², um aumento de 29% quando comparado o mesmo período anterior. No Maranhão e no Mato Grosso, o aumento foi de 50%. O governo, no entanto, prefere trabalhar com a evolução da série histórica nos últimos dez anos, que aponta para uma redução de 79% nos dados de 2013, quando a comparação é feita com 2004. 

“As pessoas dizem o que acham que podem dizer sem cotejar com a realidade. Dizer que o governo Dilma não apoia o meio ambiente? Como? Institucionalmente foi o governo que mais deu de concurso, de orçamento, infraestrutura, nunca tive um ‘não’ da presidenta. Faço questão de dizer isso”, afirmou Izabella.

Agenda. Com a ascensão de Marina no cenário eleitoral, a presidente Dilma decidiu reforçar a agenda ambiental como forma de se contrapor à candidata do PSB. Marina foi convidada a participar da Cúpula do Clima em Nova York, mas avaliou que uma eventual viagem para os Estados Unidos prejudicaria a reta final de sua campanha. 

Conforme relatos colhidos pelo Estado, a fala da presidente na cúpula vai se concentrar nos investimentos do governo brasileiro em fontes limpas de energia, no combate ao desmatamento da Floresta Amazônica e na redução nas emissões de gás carbônico. 

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