Para Marina, Dilma quer ressuscitar o ‘medo’

Para Marina, Dilma quer ressuscitar o ‘medo’

Ex-ministra recicla slogan de Lula e diz que ‘esperança venceu’; petista cobra consistência

O Estado de S. Paulo

03 de setembro de 2014 | 22h09

Tecnicamente empatadas nas pesquisas de intenção de voto, as candidatas à Presidência Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) trocaram críticas nesta quarta-feira, 3, durante seus compromissos de campanha. Enquanto Marina acusou Dilma de usar a “tática do medo” contra ela, a petista negou a estratégia e afirmou que apenas está cobrando consistência da adversária.


Marina disse nesta quarta que a petista tenta “ressuscitar o medo na campanha eleitoral”, estratégia que foi usada contra Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições em 2002. “Eu acredito profundamente que a esperança venceu o medo. Infelizmente, quem está querendo ressuscitar o medo é a presidente Dilma. E a pior forma de se fazer política é pelo medo”, afirmou Marina durante entrevista ao site G1.

O bordão escolhido por Marina, “a esperança venceu o medo”, foi justamente o usado por Lula no passado. 

Desde que encostou em Dilma nas pesquisas de intenção de voto, Marina tem sofrido ataques tanto da petista quanto do tucano Aécio Neves. A presidente, no entanto, é a que tem feito as críticas mais duras contra a candidata do PSB. 

Na terça-feira, a campanha de Dilma comparou Marina aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor no horário eleitoral da TV. Os dois não concluíram seus mandatos - Jânio renunciou e Collor sofreu impeachment. 

Na própria terça, Marina já havia reagido à propaganda. Ao participar da série Entrevistas Estadão, ela disse que quem deveria ser comparada a Collor era Dilma, que chegou ao Palácio do Planalto sem sequer ter sido eleita vereadora.

Marina foi orientada por seus sucessores a revidar os ataques que vêm sofrendo. A avaliação da campanha, porém, é que a comparação com Collor não vai prejudicar Marina, já que ela é bastante conhecida e tem uma longa trajetória política. 

‘Verdade’. Quando questionada sobre o tom mais agressivo adotado pela sua campanha depois da subida de Marina nas pesquisas de intenção de voto, Dilma negou que esteja colocando em prática a “tática do medo”. “Não é uma questão de medo, mas de verdade. É a hora que você tem de mostrar o que você vai fazer, como vai fazer e com quanto dinheiro você vai fazer”, afirmou a presidente, que cumpriu agenda em Belo Horizonte.

Dilma também falou sobre os comerciais de TV que comparam Marina a Collor. “Não é que as pessoas são iguais. O que nós dissemos é que, se você não tem um número suficiente de deputados, você não aprova nenhum projeto.”

As campanhas de Dilma e Aécio têm batido na tecla de que uma eventual vitória da candidata do PSB levaria a uma crise de governabilidade, já que Marina afirma que, se eleita, vai governar com a ajuda dos “melhores” quadros de todos partidos, mesmo os que não sejam da base aliada. 

Outra crítica recorrente é em relação ao conteúdo apresentado por Marina em seu programa de governo, Ontem, a candidata do PT voltou a dizer que se forem implementadas as propostas da adversária, os empregos dos brasileiros correm risco. Ela destacou também a necessidade de apontar a origem dos recursos para colocar em prática as medidas apresentadas. 

Plágio. Marina também rebateu ontem a acusação de Aécio de que o seu programa de governo plagiou partes do Plano Nacional de Direitos Humanos lançado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 2002.

“A defesa dos direitos humanos não deve ser privatizada por nenhum partido”, disse a candidata, após participar de evento na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

Marina citou como exemplo o Bolsa Família, implementado pelo governo do ex-presidente Lula, e que, de acordo com ela, deve ser considerado uma conquista da sociedade e não de um governante. “Essa é uma visão pouco generosa (do PSDB) em relação a conquistas da sociedade brasileira, que não podem ser fulanizadas. A luta pelos direitos humanos é uma conquista da humanidade”, disse. / ISADORA PERON, PEDRO VENCESLAU, SUZANA INHESTA e ANA FERNANDES 

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