Para Lula, mercado interno é antídoto para crise internacional

Declaração aconteceu durante comício de Luiz Marinho (PT), candidato à Prefeitura de São Bernardo

NATÁLIA GOMEZ, Agência Estado

19 de outubro de 2008 | 14h42

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, neste domingo (19), que o Brasil deve se apoiar no mercado interno para garantir a continuidade do crescimento, mesmo com o cenário de crise internacional. Segundo Lula, ainda não existe qualquer sintoma de desaquecimento no Brasil. Ele acrescentou que o governo está acompanhando de perto eventuais impactos da crise sobre os países emergentes, como Índia e China e Brasil.   Mesmo diante das críticas de que o melhor remédio para a crise seria a redução dos gastos do governo, o presidente sinalizou em direção oposta. "Para enfrentar a crise de crédito, vamos fortalecer o mercado interno. Gerar mais renda e emprego", declarou diante da platéia que participou do comício de Luiz Marinho (PT), candidato à Prefeitura de São Bernardo. "Vocês não devem se endividar mais do que podem, mas também não devem deixar de comprar o que for necessário".   Segundo Lula, o País está em condições muito mais favoráveis do que quando enfrentou outras crises internacionais, como a asiática, a mexicana e a russa. "Acumulamos reservas quando todo mundo dizia que o governo deveria gastar." Ele reiterou que o governo não vai parar qualquer obra. "Vamos continuar fomentando o mercado interno, manter as obras do PAC", disse, acrescentando que a Petrobras anunciou investimentos de US$ 112 bilhões até 2012.   Lula mencionou que a Vale e a Gerdau anunciaram que não irão parar os seus projetos. "Podemos ter problemas, mas a crise não se enfrenta com medo. O País tem que se preparar para quando a crise terminar lá fora. O Brasil vai se transformar em uma grande economia". O presidente destacou que os bancos brasileiros estão menos alavancados (endividados em relação ao patrimônio) do que os estrangeiros.   OUTRAS PROVIDÊNCIAS   O presidente afirmou ainda que ficará em São Paulo nesta segunda-feira para "tomar outras providências" diante da crise internacional. Lula descartou qualquer pacote, que segundo ele, é sempre "pago pela população", mas informou que se reunirá com o ministro da Fazenda e com os presidentes do Banco Central, do BNDES, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. "Nunca conversei tanto com economistas e empresários", afirmou.   O governo Lula optou por atuações pontuais para conter a falta de crédito no mercado financeiro - como a liberação de compulsórios e o incentivo à venda de carteiras de financiamento entre instituições -, mas as medidas não surtiram o efeito desejado e as empresas enfrentam dificuldade de captar recursos para a produção ou investimentos.   A assessoria da Presidência da República confirmou apenas que o presidente Lula terá amanhã uma audiência com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, às 11 horas, e com o presidente do Banco Central Henrique Meirelles, às 15 horas. Os encontros acontecerão na sede do Banco Central em São Paulo, na avenida Paulista.

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