Para Lula, elite branca tem 'bronca' de Dilma Rousseff

Ex-presidente elogiou discurso feito por petista na ONU, mas disse não se conformar com o que foi publicado pelos jornais

Vera Rosa e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2014 | 00h10

Em comício realizado nesta quinta-feira na cidade satélite de Ceilândia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a elite e a imprensa têm "bronca" da presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição. "Eles não toleram a Dilma. Não tem explicação a bronca que eles têm da Dilma", afirmou. Sem a presidente no palanque, Lula elogiou o discurso feito por sua sucessora na abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, mas disse não se conformar com o que foi publicado pelos jornais.

"Eu fiquei orgulhoso com o discurso da Dilma na ONU, o Brasil saiu do Mapa da Fome, mas os jornais disseram que ela foi lá na ONU fazer política e campanha", afirmou Lula. "Nós não podemos brincar porque a imprensa é o maior partido de oposição que temos hoje. Se o Brasil que eles descrevem todo dia fosse verdade, o País teria acabado."

Para Lula, a elite e os meios de comunicação promovem uma campanha negativa contra o PT nos mesmos moldes da realizada contra os ex-presidentes Getulio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek. "Fico assustado como um setor da imprensa e da elite tratavam Getúlio Vargas. Se a gente ver (sic) o que falavam do João Goulart em 1963 é a mesma coisa que falam de nós. Se ver (sic) o que a elite falava do Juscelino é quase a mesma coisa que falam de Dilma."

A presidente e candidata ao segundo mandato não compareceu ao comício de ontem, ao lado de Lula e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, sob a alegação de que estava afônica após a viagem a Nova York. No Distrito Federal, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, está à frente de Dilma nas pesquisas de intenção de voto. Agnelo, por sua vez, ocupa o terceiro lugar.

Amo Marina. Lula voltou a dizer que também "ama" Marina, em alusão ao sentimento que a ex-ministra do Meio Ambiente disse nutrir por ele. Ressalvou, porém, que a escolha para o Palácio do Planalto tem de ser feita levando-se em conta o critério da competência. "Eu também amo ela (Marina), mas a escolha para a Presidência não é um caso de amor. Se fosse, eu chamava a Marisa para ser candidata", brincou, numa referência à sua mulher, Marisa Letícia. "Quando eu escolhi a Dilma sabia para ser candidata, eu sabia que ela tinha competência"

Em duas ocasiões, o ex-presidente foi interrompido por gritos de "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula". Emocionado, ele contou que, ao gravar um programa eleitoral de TV, ouviu a sugestão para tirar a camisa do PT por causa das denúncias de corrupção que pesam contra o partido desde o escândalo do mensalão, em 2005.

"No dia em que eu tiver vergonha de usar a minha camisa vermelha e a estrela, não há nenhuma razão para fazer política", rebateu Lula. "Numa família grande como o PT, tem gente que comete erros e abusos. Eles, os que erraram, têm de pagar pelos abusos." Sem citar o escândalo envolvendo a Petrobrás, Lula disse que "a diferença é que, no tempo da oposição eles jogavam (a sujeira) embaixo do tapete". E completou: "A Dilma tirou o tapete da sala".

Lula também aproveitou o comício para alfinetar o senador Aécio Neves, candidato do PSDB ao Planalto. O ex-presidente ironizou o fato de o tucano defender um "choque de gestão". "Quando alguém fala em choque de gestão significa arrocho salarial, diminuir benefícios dos trabalhadores e mandar funcionário público embora", disse.

O discurso de Lula foi marcado por críticas à imprensa. Ele lembrou que era criticado pelos meios de comunicação por "viver fazendo comício" e viagens pelo País. "Quando criamos o Bolsa Família, eles diziam que era esmola. Quando criamos o Prouni (programa que dá bolsas a estudantes de baixa renda em universidades particulares), diziam que estávamos nivelando a educação por baixo", comentou.

Lula disse, ainda, que a elite brasileira não admite que os pobres tenham acesso a bens e serviços de qualidade. "Eles nunca aceitaram alguém que ousasse permitir que um negro virasse doutor. Eles não admitem pobre comprar carne de primeira, acham que nós nascemos para comer músculo. Mas nós queremos é filé, é picanha, queremos a carne boa."

Ao elogiar Dilma, o ex-presidente também afirmou que seus opositores não admitem que "uma guerrilheira" como Dilma seja presidente e esteja fazendo uma administração "extraordinária". "O Lula incomodava muita gente. O Lula e Dilma incomodam muito mais", concluiu. 

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