Para Kassab, Campos é 'grande líder'

Enquanto manobra seu PSD entre Serra e Haddad, prefeito vai ao carnaval do Recife e enche de elogios o governador e o seu PSB

ANGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h06

Ao mesmo tempo em que reitera apoio incondicional ao padrinho José Serra (PSDB), caso ele entre na disputa pela Prefeitura de São Paulo, e procura manter abertas as portas com o PT do pré-candidato Fernando Haddad, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) reforçou ontem os laços com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O prefeito paulistano desembarcou no Recife e tratou o presidente nacional do PSB como o grande líder de sua geração.

"Hoje estou aqui diante do grande líder do PSB, parceiro do PSD, meu líder Eduardo Campos", derreteu-se Kassab, ao ser recebido pelo governador no Palácio do Campo das Princesas, antes de seguir para o camarote do governo do Estado para assistir ao desfile do autointitulado maior bloco do planeta, o Galo da Madrugada.

"No plano nacional Eduardo Campos é a grande liderança da nova geração e eu tenho a tranquilidade de confiar a ele minha condição de liderado", disse ele.

O prefeito prometeu retornar a Pernambuco em março para a festa que marcará a consolidação do PSD estadual - que, segundo o próprio prefeito, estará alinhado ao governador Campos seja qual for sua decisão em relação à disputa em São Paulo.

Campos e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa costura combinada com Kassab, já conversaram sobre uma hipótese de o PSB indicar o vice na chapa de Haddad. Porém, com a movimentação de Serra, o prefeito decidiu suspender a investida por um acordo com os petistas.

'Incondicional'. A exemplo do que havia feito horas antes no sambódromo do Anhembi, em São Paulo, Kassab voltou a afirmar seu apoio "incondicional" a José Serra se ele decidir entrar na disputa.

Ele assegurou que o apoio não será a contragosto, mas deixou claro que se o ex-governador não estiver na disputa, é concreta a possibilidade de aliança com a candidatura do PT. "Os dois partidos examinam isso", observou.

'Sonho'. No Anhembi, ao falar da sinalização de Serra, o prefeito, que é também presidente nacional do PSD, observou que uma aliança em 2012 com os tucanos não significa um alinhamento automático com o PSDB em 2014. "A questão é se ele (Serra) vai abandonar o sonho de ser presidente", ponderou.

Kassab afirmou ainda que mantém uma relação "rotineira" com o ex-governador de São Paulo. "Se em algum momento ele definir sair candidato, sabe que contará comigo."

Serra deu sinais de que está inclinado a rever a posição de não concorrer novamente à Prefeitura e pediu aos aliados para pensar no assunto durante o carnaval. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) pretende se reunir com o antecessor ainda no feriado e sentir dele a real disposição de aceitar o desafio. Nesse caso, o PSDB terá de buscar uma saída honrosa para enterrar as prévias.

Discrição. Campos evitou falar da eleição em São Paulo. Preferiu ressaltar afinidades entre o PSB e o PSD. Lembrou que os partidos integram um bloco no Congresso que integra a base aliada da presidente Dilma Rousseff e já apresentou resultados positivos em votações no Congresso. Por exemplo, na prorrogação da Desvinculação de Receita da União (DRU ).

Kassab chegou ao Recife às 5h. Depois de se reunir reservadamente com Campos , passou menos de duas horas no camarote de carnaval - que contou com a presença, também, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha - e retornou no início da tarde para São Paulo./ COLABORARAM GUSTAVO URIBE E DAIENE CARDOSO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.