Para Haddad, julgamento depura política

Petista diz que, por ser última instância, decisão do STF sobre mensalão deve ser encarada assim

BRUNO LUPION, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2012 | 03h06

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem que a condenação dos petistas José Dirceu e José Genoino pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do mensalão, deve ser encarada como um processo de depuração da política brasileira.

A posição destoa de declarações dadas por líderes petistas na última semana, que atribuíram o veredicto desfavorável a Dirceu e Genoino à suposta pressão realizada por partidos políticos e meios de comunicação sobre os ministros do STF.

Ao ser questionado, em entrevista na rádio CBN, se a condenação significaria um processo de depuração na política, Haddad respondeu: "É, tem que ser vista assim, porque é decisão de última instância, não cabe recurso". O petista também disse que a credibilidade do STF não pode ser colocada em xeque.

Não é a primeira vez que Haddad usa o verbo "depurar" ao se referir ao julgamento. Em entrevista à mesma rádio, em agosto, o petista defendeu punição a todos os administradores públicos flagrados em malfeitos para que a política fosse "depurada".

Segundo integrantes do PT, a estratégia eleitoral explica a distância entre a posição do candidato e a de líderes do partido. Os candidatos a prefeito do PT foram orientados a respaldar a legitimidade do Supremo. Cabe aos líderes partidários vocalizar a insatisfação da militância petista com os rumos do julgamento.

Mensalão mineiro. Haddad cobrou ontem dos ministros do Supremo que julguem com celeridade o processo do mensalão mineiro, que também tem como relator o ministro Joaquim Barbosa e não tem data para entrar na pauta do tribunal.

A ação denuncia um suposto esquema de financiamento ilegal em 1998 para a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais e presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo - hoje deputado federal.

"Esse processo tem que ir até o final, não podemos dizer aos inimigos, a lei, e aos amigos, tudo", afirmou Haddad. Na noite de ontem, em entrevista ao SPTV, da Rede Globo, Haddad voltou a cobrar o julgamento do mensalão mineiro, para que o STF dê uma "prova cabal que julga todos os partidos de forma igual".

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