JF Diorio/Estadão
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Para Genro, programa do PSOL não é socialista, mas de transição

Segundo candidata, plano seria uma ruptura com o capital financeiro e traria fim do superávit primário e a revolução da estrutura tributária

Stefânia Akel, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 17h38

A candidata do PSOL à Presidência, Luciana Genro, afirmou que seu programa de governo não é “diretamente socialista”, mas sim de transição. Em discurso repleto de críticas aos adversários - principalmente ao PT - a ex-deputada frisou, ao apresentar seu programa, que a primeira e mais importante mudança estrutural proposta diz respeito à política econômica.

Luciana afirmou que o atual modelo coloca os interesses do capital financeiro acima dos interesses da economia real, o que, segundo ela, resulta em desemprego e arrocho salarial. “O PT deu continuidade a um modelo econômico que tem trazido completa subordinação da esfera produtiva à esfera financeira”, criticou, acrescentando que o Brasil passa por um processo de desindustrialização.

“A lógica econômica que o Brasil vive precisa ser rompida e nossa proposta é de ruptura. Nossa primeira política econômica é a eliminação dessa lógica de esforço produtivo para pagar os juros da dívida”, afirmou.

A candidata criticou seus adversários por responderem com perguntas evasivas quando questionados sobre de onde vão tirar recursos para implementar suas propostas. “Não temos contas na ponta do lápis, mas nós temos sim uma fonte muito clara para fazer essas melhorias que estamos propondo”, disse. Segundo ela, o dinheiro virá da mudança da política econômica, com o fim do superávit primário e a revolução da estrutura tributária.

Luciana também disse que não buscará atalhos para chegar ao poder, “como fez o PT”. “Para aprovar a reforma da previdência, Lula recorreu ao mensalão”, afirmou. “Esses mesmos atalhos trilhados pelo PT estão sendo agora trilhados pela Marina”, acrescentou, referindo-se principalmente à proposta da ex-ministra de conceder independência ao Banco Central. A socialista disse ainda que acredita ser possível mobilizar a população para aprovar medidas que dizem respeito ao interesse do povo. “Confiamos nessa capacidade de mobilização para implementar as mudanças que a gente defende”, ressaltou. 

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