Para FHC, Dilma tem que se preocupar com disposição de Lula

Ex-presidente comentou afirmação do sucessor, de que poderia concorrer em 2014 para evitar que o PSDB retorne ao Planalto

DAIENE CARDOSO, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h05

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou ontem a declaração seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva - feita em entrevista ao Programa do Ratinho, no SBT - de que estaria disposto a disputar a eleição presidencial em 2014, caso a atual presidente Dilma Rousseff abrisse mão da candidatura, de forma a evitar que os tucanos retornem ao Palácio do Planalto.

"Quem tem que ficar preocupado não são os tucanos, é a presidente Dilma. É ela quem tem de se preocupar com a disposição de Lula", disse. Para ele, a entrevista está dentro do "estilo agressivo de discursar" de Lula, o qual não se pode "levar ao pé da letra". "Essa é uma bazófia do Lula, é do estilo dele."

O ex-presidente defendeu, em São Paulo, durante palestra para lojistas de shopping centers, que o País racionalize os gastos com a máquina pública e concentre esforços em investimentos de infraestrutura. Segundo FHC, o Brasil deveria seguir o exemplo da China, que no passado investiu em infraestrutura e atualmente incentiva o consumo da população para minimizar os efeitos da crise econômica,

"Nós não fizemos o que a China fez: nós não investimos", enfatizou. "Na época da bonança nós deveríamos ter investido mais em infraestrutura. Hoje todo mundo reclama que não tem estradas, os aeroportos não avançaram. São questões que não se resolvem do dia para a noite", criticou.

Para o ex-presidente, a arrecadação do governo federal é suficiente para que o País invista em infraestrutura e continue crescendo. "Essa massa de recursos, em boa parte, está sendo desperdiçada porque enche a máquina sem que ela tenha produtividade", avaliou. "Com a taxa de juros caindo, vai haver mais (recursos). Vai sobrar mais dinheiro para o governo federal", emendou. De acordo com ele, o País poderia ter avançado na política de concessões, o que não aconteceu "por preconceito ideológico".

Elogio. FHC elogiou o desempenho da presidente Dilma Rousseff na "cruzada" contra os juros altos. "Acho que, no desafio atual, a taxa de juros tinha de ser enfrentada mesmo", admitiu, após fazer um resumo da trajetória econômica brasileira e da manutenção das políticas iniciadas a partir do Plano Real (1994).

Na palestra de quase uma hora no 12.º Brasilshop - Congresso Internacional do Varejo, Fernando Henrique disse que o País sofre com a escassez de qualificação profissional e que, para superar essa deficiência, será preciso aceitar mais estrangeiros. "Nós somos um país de imigração, precisamos de gente."

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