Para Falcão, mídia e Judiciário são a oposição

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem em discurso que "não dá para avançar no Brasil sem uma reforma do Estado que pegue a questão da mídia monopolizada e o Judiciário conservador". Segundo ele, "não é possível ter mais democracia no Brasil com o atual sistema político eleitoral, sobretudo se não se conquistar o financiamento público de campanha".

FELIPE WERNECK, WILTON JÚNIOR / RIO, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2012 | 02h06

As declarações do presidente do PT foram feitas durante encontro de prefeitos e vereadores petistas eleitos no Estado do Rio com o pré-candidato ao governo estadual, senador Lindbergh Farias (PT-RJ). O encontrou reuniu 11 prefeitos, 12 vices e 84 vereadores do partido.

No discurso, Falcão disse que a "oposição real é aquela que reúne grandes grupos que se opõem a um projeto de desenvolvimento independente, que se opõem ao avanço da revolução democrática e que têm, para vocalizar seus interesses, uma certa mídia que tem partido, tem lado, e que permanentemente investe contra nós".

Neste momento, ele foi interrompido por uma mulher da plateia. "Porque são financiados por esses grupos", disse ela. "Era exatamente isso o que eu estava dizendo; obrigado, companheira", completou Falcão. Para o presidente do PT, os embates em curso - contra o "núcleo do capital financeiro", entre outros - mostram qual é a oposição realmente existente no País. "Não são DEM, PPS e PSDB; esta é a oposição partidária, que sofreu dura derrota no último pleito", discursou. Outro "embate" destacado pelo petista foi a questão da medida provisória para baixar o preço da energia.

Falcão disse que os dez anos de governo petista precisam ser marcados pelo lançamento de uma campanha de iniciativa popular para "conquistar a reforma política eleitoral". "Vamos entrar em 2013 nessa conjuntura de embate", afirmou.

Corrupção. Depois da reunião, Falcão afirmou que o PT não está envolvido nas acusações da Operação Porto Seguro e que "ninguém mais do que os governos Lula Dilma combateu mais corrupção e tráfico de influência" em comparação com governos anteriores.

Em relação a filiados, disse que, se comprovadas as denúncias, o PT adotará "no momento propício" medidas disciplinares previstas em seu estatuto e código de ética, inclusive a expulsão. "Lamentamos que alguém que estava em um posto de representação do governo federal possa ter dado margem a esse tipo de fatos que a imprensa vem revelando a partir da investigação da PF", disse, referindo-se a Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo.

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