Para Falcão, escolhas do rival ocorriam em 'mesa de restaurante'

Presidente do PT provoca tucanos, sem citar que Fernando Haddad foi escolhido por Lula sem aval total de seu partido

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2012 | 03h04

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem, sobre as prévias tucanas, que o PSDB "vive uma experiência nova, de passagem de uma escolha de candidatos em uma mesa de restaurante para um processo democrático". O petista referia-se a um encontro dos tucanos Fernando Henrique Cardoso, Tasso Jereissati e Aécio Neves, que se reuniram em um restaurante nos Jardins para decidir quem apoiariam como candidato a presidente em 2006.

Segundo Falcão, as prévias devem ser "o fim de um processo, e não o início". "Nós (do PT) preferimos sempre que haja acordo. Quando não há, você ou vai para encontro de delegados ou para prévias", disse. Ele participou ontem de evento da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT-SP em São Bernardo.

Apesar da tese de Falcão em defesa do acordo, em dezembro o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff trabalharam para tirar a senadora Marta Suplicy (SP) das prévias petistas e impor, em São Paulo, a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad.

O presidente do PT afirmou não ter certeza de que Serra será candidato nas eleições e avaliou que o movimento de parte do PSDB para enterrar as prévias tem origem na constatação de que as pré-candidaturas que estão postas hoje - Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Tripoli - não têm viabilidade eleitoral.

Falcão disse não acreditar que a eleição vá girar em torno de temas morais, e, embora não tenha mencionado Serra nominalmente, disse que foi a candidatura tucana que colocou a "temática dos costumes e preconceitos" nas eleições de 2010. Naquele ano, o aborto tornou-se um dos principais assuntos da campanha presidencial.

Como fizera na festa de 32 anos do PT em Brasília, Falcão criticou os "partidos de ocasião, que visam apenas conseguir uma maioria eleitoral", mas negou que fosse uma crítica ao PSD. "Estava falando em tese. Temos alianças com o PSD em vários municípios", afirmou.

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