Para ex-vice do BB, sigilo bancário foi violado na instituição

Allan Toledo diz que não pode fazer uma acusação de fato, mas atribui caso a 'guerra de poder' e afirma que alvo é a Previ

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2012 | 03h08

O ex-vice presidente do Banco do Brasil Allan Toledo disse ontem que está convencido que seu sigilo bancário foi violado dentro da própria instituição financeira onde trabalhou 30 anos. "Eu entendo que, pelos dados demonstrados, e eles são muito veementes, alguém está de posse dos extratos da minha conta corrente", suspeita Toledo, que desligou-se do BB em dezembro e é protagonista da crise que abala a cúpula do banco.

Ele ressalvou que "não pode fazer uma acusação de fato", mas é taxativo. "A quebra do sigilo revela que meus dados bancários foram tirados no único banco onde eu tenho conta, que é o Banco do Brasil", disse.

"É uma guerra do poder, uma guerra da qual não faço parte. Quiseram me colocar nessa guerra", diz. "Definitivamente, eu não faço parte disso. Fui rotulado como o mais próximo do grupo do Ricardo Flores (presidente da Previ). Quem queria derrubar Flores poderia bater em mim para atingi-lo, mas isso é inverdade."

"Ele (Flores) foi meu parceiro na vice-presidência do BB, depois foi para o fundo de pensão. Não temos amizade, eu posso afirmar. Relações profissionais, nunca foi na minha casa. Sempre me põem ligado a ele."

A abertura das informações financeiras de Toledo mostra R$ 953 mil em uma conta sua. Ontem, ele divulgou cópia da escritura de venda e compra do sobrado 53 da Rua Cabo Verde, Vila Olímpia (SP), como prova da origem daquele dinheiro - o imóvel pertencia à sua mãe adotiva, Liu Mara Fosca Zerey, de 70 anos, e ela o vendeu por R$ 1 milhão ao advogado e empresário Wanderley Mantovani.

O documento, diz ele, "sepulta de vez a versão de que recebeu valores indevidos". Afinal, argumenta, "quem vai pegar R$ 1 milhão de propina e dar em contrapartida uma casa no mesmo valor?" O pagamento foi dividido em cinco parcelas de R$ 200 mil, vencidas em maio de 2011 e depositadas em uma conta que ele abriu para administrar o dinheiro para sua mãe, combalida por um câncer.

Averbação. A escritura por ele exibida foi lavrada na última sexta-feira, dia 2. O instrumento particular de venda e compra foi assinado em 21 de janeiro de 2010, segundo registro com firma reconhecida pelo 7.º Tabelião de Notas da Capital.

Sua explicação para fazer a escritura - 13 meses a fio -, exatamente agora que seu nome é citado em um capítulo de tensão no BB: "Após o pagamento, a escritura precisava ser adequada. Liu casou-se, separou-se e ficou viúva por duas vezes. A casa era dela, com usufruto do último marido, era necessária a averbação do óbito dele. Leva tempo".

Seu advogado, o criminalista José Roberto Batochio, prepara petições à polícia e à Justiça. "Vou trabalhar incansavelmente para descobrir quem é o vazador. Alguém, criminosamente, apoderou-se dos dados bancários de Allan e de dona Liu. Temos que encerrar essa malsinada etapa vivida pela sociedade, que é o caminho da delação anônima."

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