Para evitar expulsão, Demóstenes pede desfiliação do DEM

Senador se diz atingido por 'prejulgamento público' e nega desvio de 'programa partidário', como alegaram líderes

Ricardo Britto, da Agência Estado

04 de abril de 2012 | 03h04

BRASÍLIA - Pressionado pela cúpula do Democratas e por uma série de denúncias, o senador Demóstenes Torres (GO) pediu na manhã dessa terça-feira, 3, a sua desfiliação do partido. Com a iniciativa, Demóstenes antecipou-se à decisão do DEM de abrir um processo que fatalmente o levaria à expulsão. O senador é suspeito de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Em carta de duas páginas, entregue por um assessor ao presidente do partido, senador José Agripino (RN), Demóstenes discordou "frontalmente" da afirmação de que se desviou do programa partidário - motivo alegado pelo DEM para cobrar sua saída. "Assim, embora discordando frontalmente da afirmação de que eu tenha me desviado reiteradamente do programa partidário, mas diante do prejulgamento público que o partido fez, comunico a minha desfiliação do Democratas", afirmou.

Na saída do encontro com Agripino que selou a saída, o líder da bancada da Câmara dos Deputados, ACM Neto (BA), disse que o caso é "assunto superado". "A gente não passa a mão na cabeça de quem erra. Se ele não tivesse pedido para se desfiliar, certamente seria expulso. Não temos nenhum problema em cortar na própria carne."

O presidente do DEM afirmou que o partido não vai recorrer à Justiça para reaver o mandato do ex-líder. "Não há argumento para a demanda", afirmou Agripino, para quem caberá ao Conselho de Ética do Senado a decisão a respeito da perda do mandato do senador goiano.

Investigações. O advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, afirmou que pretende entrar na segunda-feira, 9, com recurso no Supremo Tribunal Federal para pedir a anulação de todas as investigações contra seu cliente.

Na semana passada, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chegou a dizer que não havia necessidade de o Senado abrir uma investigação contra Demóstenes, já que o caso estava sob apuração da Justiça.

Nessa terça, o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), indicou o nome do colega Wellington Dias (PI) para presidir o Conselho de Ética. Se aceito - a decisão será na próxima terça-feira, 10, -, Dias será responsável por conduzir o processo de quebra de decoro parlamentar contra Demóstenes, pedido na semana passada pelo PSOL.

Pela proporcionalidade das bancadas do Senado, a indicação para o conselho cabe ao PMDB. O partido dá mostras de que não vai abrir mão para o PT. "Mas nós vamos consultar a bancada, o presidente (José Sarney) e os outros líderes. Pelo menos já há uma sugestão de nome", afirmou Renan Calheiros, referindo-se a Wellington Dias.

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