Para especialistas, atos podem continuar

Diante da "epidemia" de protestos, as autoridades foram surpreendidas e tentaram administrar "antibióticos" para acalmar a febre popular. A resistência durou até o dia 19. O prefeito Fernando Haddad (PT), que de manhã havia dito que baixar a tarifa era medida "populista", recebeu telefonema de seu colega carioca, Eduardo Paes, dizendo que iria ceder. Haddad e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reduziram o valor da passagem de ônibus e metrô, medida que rendeu um efeito dominó e provocou a redução em outras 15 cidades. Itajubá, em Minas, por exemplo, mudou o valor de R$ 2,95 para R$ 2,50.

O Estado de S.Paulo

30 Junho 2013 | 02h13

A presidente Dilma Rousseff também precisou se mexer e anunciou a intenção de convocar um plebiscito para promover a reforma política, entre outras medidas. A professora e pesquisadora de mídia digital Giselle Beiguelman (FAU-USP) vê a atitude dos políticos com ceticismo. "Parece que eles tentaram colocar um 'curativo' para solucionar um problema muito mais grave", diz. Ela acredita que o resultado pode ser o inverso do esperado, já que as manifestações mostraram a força das ruas. Quando um problema surgir, os protestos, que se mostraram como uma solução vitoriosa, devem se repetir. "Há uma crise na democracia representativa. A internet aumentou a quantidade de informação e hoje as pessoas estão de olho nas ações governamentais. Os protestos devem continuar enquanto não forem feitas reformas profundas."

Energia. Os analistas lembram que as reivindicações atuais são diferentes das ocorridas, por exemplo, em 1984, quando se pedia as "Diretas-Já", e em 1992, quando os caras-pintadas gritaram pelo "Fora Collor". "A impressão da atitude dos políticos, com essas medidas pontuais, foi de uma mãe tentando dar 'cala boca' nos filhos", diz o professor Luli Radfahrer. Ele acredita que é o momento de se aproveitar a energia do movimento para criar mecanismos de transparência digital e de participação na fiscalização e decisões políticas. /B.P.M e R.B.

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