Para Dirceu, protestos são moralistas

Ex-ministro, réu no processo do mensalão, critica movimentos contra corrupção, que para ele fazem parte de uma 'luta moralista'

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2011 | 03h05

Réu no processo do mensalão e defensor de praticamente todos os ministros que acabaram deixando o governo Dilma Rousseff em meio a denúncias de irregularidades, o deputado cassado José Dirceu criticou ontem a "luta moralista contra a corrupção" no momento em que mais um ministro, Carlos Lupi, está na berlinda em meio a acusações.

O ex-ministro da Casa Civil participou do 2.º Congresso da Juventude do PT, onde, no sábado, o presidente do partido, Rui Falcão, já tinha saído em defesa do ministro do Trabalho e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), outro acuado por denúncias e que pediu ajuda a Dirceu.

Para criticar os movimentos que têm cobrado combate à corrupção, o deputado cassado afirmou que ações semelhantes levaram às eleições de Jânio Quadros e Fernando Collor para a presidência da República. "Nossa luta tem que remontar o passado. Nas duas vezes em que houve lutas moralistas contra a corrupção deu no Jânio e no Collor , um renunciou e o outro sofreu impeachment."

Citando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele disse que "nunca se combateu tanto a corrupção no Brasil" como nos governos do PT. Na visão de Dirceu, a pressão que é feita sobre os ministros não é a mesma em relação a escândalos em São Paulo, onde o PSDB está à frente da administração. "Quando dizem que tem de responsabilizar o ministro e o partido por problemas no ministério, então tem que se responsabilizar o PSDB, o Geraldo Alckmin e o José Serra pelo escândalo das emendas em São Paulo", afirma.

Dirceu foi aplaudido ao dizer que as eleições ganhas pelo PT foram "sem o apoio das elites e dos meios de comunicação" e afirmou que cabe ao PT discutir a regulamentação da mídia. Disse, aos que reclamam da política de alianças do governo, ser preciso trabalhar para fortalecer os partidos de esquerda no País.

Já no fim de sua fala, ele fez questão de mencionar o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, que deixou a função no último dia 26 em meio a denúncias de desvios de recursos na pasta. Ele enviou uma mensagem de "ânimo, força e afeto" ao ex-ministro que, na visão de Dirceu, representava muito bem a juventude no governo.

Camiseta. Após o discurso, o secretário nacional da juventude do PT, Valdemir Pascoal, entregou a Dirceu uma camiseta em apoio a ele com a frase "contra o golpe das elites" e a palavra "inocente" em destaque. "Não aceitamos golpe. A juventude do PT está aqui para dizer que é tudo mentira", disse Pascoal referindo-se as denúncias contra o ex-ministro, considerado o chefe do esquema do mensalão.

O Congresso da Juventude do PT tem sido marcado por manifestações em defesa de acusados de corrupção. Na abertura, o presidente do partido fez uma fala dura defendendo Agnelo Queiroz. "Esses canalhas e caluniadores tentam atingir o Agnelo, mas o objetivo é atingir o PT", disse Rui Falcão. Ele manifestou solidariedade ainda a outro envolvido em denúncias, o ministro Carlos Lupi. "Vendo o teor das denúncias, não vejo razão para substituí-lo", afirmou. "Não tem nenhuma denúncia comprovada", completou.

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