Para Dilma, há 'pessimismo inadmissível' em relação ao País

Presidente fala sobre os desafios para combater os reflexos da crise internacional no Brasil e e critica imprensa por provocar 'tempestade'

Ricardo Della Coletta e Ricardo Brito, Agência Estado

28 de julho de 2014 | 16h52

 Brasília - A presidente Dilma admitiu nesta segunda-feira, 28, que houve um erro no enfrentamento à crise econômica mundial."Todos nós erramos porque a gente não tinha ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro tinha atingido". Segundo ela, o trabalho foi grande para impedir o tradicional efeito da crise, que era desempregar e arrochar o salário e fazer com que a população "pagasse o pato da crise". A presidente aproveitou ainda para voltar a criticar o "pessimismo inadmissível" em relação à economia do País, comparando com o que, segundo ela, aconteceu na organização da Copa do Mundo de futebol.

Dentre os pontos citados pela presidente, está a previsão de que haveria uma crise no setor elétrico durante o evento internacional. Segundo ela, há no Brasil um jogo de "pessimismo inadmissível". Ela destacou que, apesar de toda a tempestade que toda a mídia encampou, ela não ocorreu. "Toda a mídia apostou na tempestade perfeita. Crise cambial, o Brasil ia sofrer crise e, com isso, a economia ia entrar num processo caótico", disse, lembrando que o País tem uma política monetária séria, um processo bastante produtivo.

"Como esse País vai entrar numa crise cambial dessa proporção? Não tem fundamento sólido. Dos 20 maiores países, me diz quantos fazem superávit? Seis, um é o Brasil", afirmou a presidente.   

A presidente defendeu ainda a condução da política econômica feita por seu governo e destacou que o desemprego está nas suas menores taxas históricas. “O setor que fizemos mais emprego foi a indústria”, disse. Ela afirmou ainda que não há indicação no Brasil de demissões ou da interrupção da busca de emprego por desalento.

Ela defendeu as políticas do governo para a indústria e para o setor de infraestrutura, citando que o Programa de Sustentação de Investimento (PSI) resultou em aportes de R$ 200 bilhões. “Teve candidato que dizia que a gente tinha que parar de subsidiar a indústria”, provocou, referindo-se ao tucano Aécio Neves.

Destacando que seu governo será, ao final deste ano, aquele que mais investiu em infraestrutura. Dilma afirmou que o País terá um “momento de retomada” e deverá inaugurar um novo ciclo de produtividade.

Dilma participou nesta tarde de sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, pelo portal UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan. A entrevista foi realizada no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República em Brasília. Os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), já foram sabatinados na semana retrasada.

Inflação. Outro ponto abordado pela presidente durante a sabatina foi o combate à inflação. "A inflação desorganiza a economia, não permitiremos que essa praga volte a corroer nosso tecido econômico", disse

Dilma discorda da ideia de que tenha havido algo errado no combate à inflação. Ela lembrou que o sistema de metas é de 1999 e tem, portanto, 15 anos. Segundo Dilma, a inflação "não está descontrolada". "Asseguro que ela ficará abaixo do limite superior da meta. Sempre se mediu a inflação anualizado. Está a 0,02% acima do limite, e em trajetória decrescente", afirmou.

A presidente destacou que a inflação medida no seu governo e do ex-presidente Lula foram menores que a medida no governo Fernando Henrique Cardoso. "No meu período, a inflação, se você comparar os primeiros anos dos governos, os meus e do Lula se calibram, o meu um pouco menor, porque o Lula pegou a taxa de inflação de 12%, na época do FHC. Usam dois pesos e duas medidas. A inflação não está descontrolada, está no centro. Ela está no teto da banda e vamos ficar nesse teto da banda."

 

 

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