Para Dilma, especulação na bolsa com pesquisas é 'ridícula'

Para Dilma, especulação na bolsa com pesquisas é 'ridícula'

Presidente comentou sobre alterações no mercado em função de levantamentos eleitorais e disse que 'tem alguém ganhando dinheiro com isso'

Tânia Monteiro e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 14h58


Atualizada às 22h15

A presidente Dilma Rousseff reagiu nesta sexta-feira em Brasília com irritação por conta da variação de humor apresentada pelas bolsas de valores em função das pesquisas de intenção de voto. A presidente classificou de “ridícula” a reação do mercado financeiro ditada pelo sobe e desce dos números na corrida ao Planalto.

Em tom de desabafo, Dilma afirmou que “especulação tem limite” e disse que “tem alguém ganhando com isso”. A reação da presidente foi deflagrada por uma pergunta sobre a oscilação do mercado nos últimos dias, quando as ações da Bolsa caíram e o dólar subiu por causa da melhoria dos índices da pesquisa a favor da reeleição da petista. “Acho ótima a reação da Bolsa. Quando a Bolsa cai, eu falo: será que eu subi?”, ironizou a candidata à reeleição.

Deixando transparecer descontentamento com o assunto, Dilma foi dura com o que considera algo negativo para sua imagem. “Está ficando ridículo isso. Especulação tem limite. E acho que tem gente ganhando com isso, e eu não sou. Eu perco”, afirmou a presidente, em tom de irritação. “Eu acho desagradável o fato de acharem que uma coisa está vinculada à outra, quando sobe ou quando desce.”.

Dilma evitou ainda comentar as últimas pesquisas de intenção de voto publicadas na última sexta-feira. De acordo com o Datafolha, a petista lidera no 1.º turno, abrindo uma diferença de 7 pontos porcentuais em relação a Marina Silva, do PSB. No entanto, na simulação de 2.º turno, aparece 2 pontos porcentuais atrás de sua adversária (mais informações no texto abaixo).

“Eu não comento (pesquisa). Nunca comentei. Não comentei quando sobe. Não comentei quando desce”, declarou a presidente, justificando que “pesquisa é o retrato de um momento”.

Humores. Os indicadores do mercado não deixam margem a grandes dúvidas: o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, é o favorito dos investidores. Mas, como até agora sua candidatura não decolou, a flutuação da Bolsa passou a acompanhar o desempenho da candidata do PSB, Marina Silva. Se a ex-ministra sobe nas pesquisas de intenção de voto, os sorrisos se abrem e a movimentação financeira aumenta. Caso contrário, recua. Ou seja, o mercado já mostrou claramente que espera por um 2.º turno e, mais do que isso, está na torcida para que o desfecho leve a oposição ao Palácio do Planalto.

Não é à toa, portanto, que a presidente reclame das “especulações”. Dilma range os dentes ao constatar que as forças financeiras estão do lado oposto, seja ele qual for.

Nos corredores de Brasília, comenta-se que ela “colhe o que plantou”. Por mais de uma vez, executivos com trâmite e alta influência nos bastidores do poder externaram, de maneira discreta, mas contundente, insatisfação com o modo como a petista conduz as conversações com eles. Queixam-se por sentirem que, com ela, não há muito espaço para o diálogo.

Isso ficou transparente há 20 dias, após o anúncio de queda de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. A tendência natural seria a de um recuo nas Bolsas. Contudo, naquele dia a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,65%, alcançando o maior patamar desde 23 de janeiro do ano passado.

Na ocasião, a leitura dos especialistas foi uma só: dados ruins tendem a dificultar a reeleição de Dilma - e impulsionam candidaturas de oposição. Segundo consultores, uma alternância de poder no Executivo beneficiaria, sobretudo, os papéis de estatais, entre elas os da Petrobrás, e de bancos.

O fato de a candidatura de Aécio Neves até agora não ter emplacado como o mercado esperava foi amainado com a publicação do programa de governo do PSB, de Marina Silva. Ao tomar conhecimento de suas propostas para a economia, o entendimento foi o de que havia muita similitude com os preceitos defendidos pelo candidato tucano, com a manutenção do tripé econômico formado por meta de inflação, política de superávit fiscal e câmbio flutuante.

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