Para Dilma, ‘dono do voto é cada brasileiro’

Presidente minimiza adesão de Marina a Aécio e diz também ter aliados no PSB

Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

12 de outubro de 2014 | 21h57

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, minimizou domingo, 12, o apoio a Aécio Neves (PSDB) anunciado horas antes por Marina Silva (PSB), terceira colocada no 1.º turno da disputa eleitoral. E, num contraponto, destacou lideranças do partido dela que declararam voto à sua candidatura.

“Vários seguidores da outra candidatura, da Marina, vieram para a minha campanha”, disse a petista, citando como exemplo o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), que na quinta-feira declarou apoio à candidatura petista, apesar de o PSB nacional ter optado pelo tucano no 2.º turno. Além dele, Dilma conta com a adesão de outras lideranças do partido, como o ex-ministro Roberto Amaral e o governador do Amapá, Camilo Capiberibe, que também disputa o 2.º turno em tenta a reeleição em busca da reeleição.

Em visita ao bairro de Guaianases, na zona leste de São Paulo, Dilma afirmou não acreditar que o apoio de Marina resulte numa direta transferência de votos para Aécio. “O voto é de cada brasileiro”, disse. A presidente também descartou ter havido falha na articulação política de sua candidatura por ter perdido o apoio formal do PSB – o partido era aliado do governo petista até setembro do ano passado, quando se afastou para lançar candidatura própria. “Nós não falhamos. Eles tinham outro alinhamento. Eu não sou a favor de várias questões que o adversário (Aécio) é.”

Para reforçar as diferenças com de sua proposta com a do adversário, Dilma citou que “eles” são a favor da independência do Banco Central e “nós” não. “Eles são a favor de reduzir o papel dos bancos públicos, nós não somos porque isso significa acabar com Minha Casa Minha Vida, concretamente”, afirmou Dilma.

A campanha de Aécio divulgou nota em que classificou de “mentiras e fantasias” a afirmação sobre o Minha Casa.

Lava Jato. Dilma declarou que “vai apurar com absoluto rigor cada uma das denúncias feitas” no âmbito da Operação Lava Jato – investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobrás. A petista voltou a reclamar do “vazamento seletivo” do depoimento do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Em delação premiada, ele apontou pelo menos 32 parlamentares que estariam envolvidos em esquema de pagamento de propinas, e citou nomes de filiados ao PT, PP e PMDB. Em outro depoimento, na quarta-feira, Costa não citou autoridades, mas reiterou as informações sobre desvios.

Dilma disse “achar estranho” o depoimento ter sido marcada para o período eleitoral. “Você faz audiência pública a hora que lhe convém, agora, fazer audiência pública no meio de uma campanha eleitoral, parcial, é que eu acho estranho.”

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