Para Dilma, Brasil 'se superou' na organização da Copa

Em entrevista concedida antes da final do torneio, presidente se diz orgulhosa do resultado da preparação do evento

JOSÉ ROBERTO CASTRO, NIVALDO SOUZA E VICTOR MARTINS, Agência Estado

14 de julho de 2014 | 12h17

São Paulo - A presidente Dilma Rousseff disse, em entrevista à rede de TV Al Jazeera, que o Brasil, ao organizar a Copa do Mundo, superou não apenas as questões concretas, mas também uma "campanha negativa" contra a realização do torneio no Brasil. Segundo a presidente, uma série de notícias negativas diziam que o Brasil não tinha condições de receber o torneio e, para ela, "o Brasil se superou ao organizar essa Copa".

A entrevista foi gravada na sexta-feira, 11, antes, portanto, da final da Copa realizada neste domingo no Maracanã, quando Dilma foi novamente vaiada por parte da torcida. A manifestação contra a presidente também ocorreu na abertura do evento, em São Paulo.

Após a derrota da seleção brasileira para a Alemanha, o Palácio do Planalto procurou descolar a imagem da presidente do desempenho ruim do Brasil em campo e vem enfatizando os resultados da organização do torneio.

Dilma, que se disse orgulhosa do resultado da organização da Copa do Mundo, respondeu perguntas sobre os gastos com estádios. Para ela, os US$ 4 bilhões investidos em estádios não são parte significativa dos investimentos feitos em saúde e educação. Em pronunciamento na TV dias antes do início do torneio, em junho, a presidente afirmou que governo federal, Estados e municípios investiram R$ 1,7 trilhão em educação e saúde.

À Al Jazeera, Dilma falou ainda da importância das obras de infraestrutura realizadas para a Copa do Mundo e disse que o Brasil precisa "do triplo" do que já foi feito. A necessidade de infraestrutura é, para ela, um desafio para o País.

Sobre as obras que não ficaram prontas, como o metrô de Fortaleza citado pelo entrevistador, Dilma repetiu elas não estavam sendo feitas para o torneio, mas para a população. "Tudo que nós investimos na Copa do Mundo vai ficar no Brasil, vai ficar para o brasileiro. O que as pessoas levam do Brasil é o bom tratamento", afirmou a presidente, que lembrou que o País está investindo US$ 70 bilhões em obras de mobilidade urbana.

Economia. Durante a entrevista, Dilma afirmou que o Brasil deve entrar num novo ciclo econômicos ao final da crise que chegou aos países emergentes a partir de 2011. "Estamos preparando o Brasil para o ciclo econômico. Estamos em baixa no ciclo econômico (em razão da crise), mas sabemos que vamos entrar em um novo ciclo, que se não surgir para o resto do mundo vai surgir para o Brasil", afirmou.

A presidente citou como exemplo desse ciclo o investimento em inovação, liderada pelo projeto Ciência Sem Fronteira, que envia estudantes brasileiros para estudar em outros países. "O Brasil é um país que tem demorado muito para modernizar seu Estado. Precisamos de um Estado mais amigável tanto para os empresários quanto para os cidadãos, os empreendedores. A questão da inovação é fundamental e, por isso temos, feito programas para incentivar a inovação", disse.

Dilma citou a educação como um de quatro passos importantes para o País se desenvolver. Ela inclui na lista investimentos em infraestrutura, a manutenção de programas para assegurar que pessoas que saíram da pobreza possam se manter no novo nível econômico e social atingido, e, por último, melhorar a relação do Estado com o cidadão.

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