Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Dilma, adversários podem 'flexibilizar' direitos trabalhistas

Durante agenda de campanha em São Paulo, presidente faz críticas indiretas a propostas de Marina e Aécio sobre a CLT

Pedro Venceslau e Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2014 | 12h59

SÃO PAULO - Em uma entrevista coletiva realizada neste sábado, 20, na qual a única pergunta foi feita por uma repórter do PT, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, defendeu os direitos trabalhistas e insinuou que os adversários estariam dispostos a flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A deixa para falar sobre o assunto partiu de um questionamento de uma repórter da campanha sobre se, no caso da vitória dos adversários, os direitos trabalhista estariam ameaçados. “Os direitos trabalhistas são conquistas históricas, algo que conquistamos e que vamos defender”, afirmou Dilma. Em uma crítica indireta aos adversários, a presidente insinuou que a sua derrota resultaria na flexibilização dos direitos. “Para agradar A, B ou C o pessoal chega e diz que vai flexibilizar.”

No começo da campanha, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves sinalizou, em encontros com empresários, que poderia flexibilizar a CLT em segmentos específicos, como no turismo. Durante a campanha, porém, recuou e passou a defender a manutenção da CLT.

Na sexta-feira, em São Bernardo, em São Paulo, Marina Silva, candidata do PSB, também se defendeu das críticas de que iria flexibilizar os direitos trabalhistas.

A presidente Dilma participou na manhã deste sábado de uma minipasseata no Largo 13, no bairro Santo Amaro, em São Paulo. Ao chegar no evento, Dilma foi ao encontro dos jornalistas e prometeu que daria uma entrevista. Quando os jornalistas tentaram fazer a primeira pergunta, a presidente respondeu: “Não, meu querido, quem começa falando soy yo. O primeiro minuto é meu e vou falar sobre educação infantil.”

Depois de uma fala que durou cerca 20 minutos, na qual a presidente listou realizações do seu governo, ela, enfim, disse que estava disposta a responder as perguntas dos repórteres, mas a única pergunta respondida foi a da jornalista da campanha.

Depois da passeata, na qual estava acompanhada da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e do candidato a governado de São Paulo do PT, Alexandre Padilha, a presidente fez um rápido discurso em cima de um carro de som e debaixo de uma fina garoa.

Em sua fala, ela tratou do Rodoanel, uma das principais vitrines da gestão tucana em São Paulo, como uma obra do governo federal. “Vocês sabiam que o Rodoanel foi feito com dinheiro federal? O monotrilho também foi feito com dinheiro do governo federal.” Ainda em cima do veículo, a presidente se referiu novamente aos adversários ao dizer que é vítima de falsos boatos sobre o fim do Bolsa Família. “Nesse momento, em que o clima da eleição começa a ficar um pouco quente, começam a surgir uma série de mentiras e boatos para enganar o povo. Tem uns que dizem que o Bolsa Família vai acabar. Só vai acabar se eles forem eleitos.”

Bolsa Família. Em sua fala, a presidente se referiu novamente aos adversários que se dizem vítimas de falsos boatos sobre o Bolsa Família. "Tem uns que dizem que o Bolsa Família vai acabar. Só vai acabar se eles forem eleitos", disse, sem citar diretamente Marina.

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