Para deter fogo amigo, tucanos vão marcar prévia

Mudança de estratégia busca reduzir desgaste provocado por setores da sigla que admitem não ter nome forte para 2012

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h01

Na tentativa de diminuir o fogo amigo, o PSDB mudou a estratégia na capital paulista e resolveu que vai definir a data das prévias que escolherão o pré-candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. Os tucanos acertaram ainda a contratação de empresa que opera urnas eletrônicas para realizar a consulta em parte das 58 zonas eleitorais da capital.

A movimentação pretende diminuir o clima de desconfiança interno, após se tornar público que setores do PSDB avaliam que a legenda, sem um candidato forte na eleição de 2012, pode amargar uma derrota como a de 2008 - o partido tem quatro pré-candidatos, mas nenhum desperta entusiasmo na cúpula tucana.

Em reunião em outubro, registrada em ata, o PSDB definiu que as prévias ocorrerão até janeiro. Mas aliados do governador Geraldo Alckmin querem que o processo seja feito em março, o que alimenta o clima de incerteza quanto à realização da disputa.

"Não dá para uns defenderem em março, outros em janeiro. O partido precisa ter uma opinião única. Difícil ter unanimidade, mas precisamos resolver a questão da data para se articular e unificar o discurso. A partir daí, outras posições serão individuais", afirmou o presidente do PSDB paulistano, Julio Semeghini. O PSDB acerta detalhes da contratação de empresa que trabalha com o Tribunal Regional Eleitoral para implantar o sistema de votação nos diretórios zonais. A ideia é que sejam distribuídas urnas em nove pontos de votação.

Candidatura. Reportagem publicada na segunda-feira pelo Estado mostrou que, nos bastidores do partido, setores já avaliam que, sem candidato forte, o PSDB pode não passar para o segundo turno na eleição do ano que vem. Em reação à reportagem, os diretórios estadual e municipal convocaram reunião entre os pré-candidatos - os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli - e soltaram nota reafirmando que o partido fará as prévias e que terá candidatura competitiva.

Segundo a Folha de S. Paulo de ontem, o ex-governador José Serra fez chegar à direção tucana a avaliação de que o PSDB não teria candidato viável em 2012.

Alckmin afirmou ontem que o PSDB terá nome "forte" na eleição e que "é natural" ter candidato próprio - há pressão interna para que a sigla apoie o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, que ameaça lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos.

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