Para defender ministro, deputado critica grupo de 'gagás'

Paulinho da Força chama integrantes da Comissão de Ética de 'velhinhos' e oposição cobra decisão definitiva da presidente

EUGÊNIA LOPES, ANDRÉA JUBÉ VIANNA , ROSA COSTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h03

Surpreendido, o PDT atacou ontem o "mensageiro" e se esquivou sobre a recomendação da Comissão de Ética Pública da Presidência de demitir o presidente licenciado do partido, o ministro do Trabalho Carlos Lupi. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), afirmou ontem que a Comissão de Ética é integrada por "gagás e velhinhos" que perseguem Lupi.

Segundo Paulinho, como é conhecido o presidente da Força, o PDT vai aguardar a reação da presidente Dilma Rousseff para só então se pronunciar sobre a recomendação da comissão.

"Esperamos que ela não ouça essa comissão de gagás. Essa é uma comissão de gagás, de velhinhos que ficam perseguindo o ministro Lupi. Vamos ver se a Dilma vai ouvir essa comissão de retardados", disse Paulinho. "Na verdade, essa comissão de ética sempre perseguiu o ministro Lupi."

No passado, Lupi já foi alvo de sanção da Comissão Ética, que o censurou por ocupar a presidência do PDT ao mesmo tempo que assumiu o Ministério do Trabalho. O ministro acabou se licenciando da presidência do partido.

À exceção de Paulinho, os pedetistas evitaram declarações sobre a situação do ministro. A cúpula do PDT estava disposta a aguardar a reação da presidente. "Precisamos ver se a presidente Dilma vai capitular e atender à recomendação da comissão", observou um pedetista histórico.

Na avaliação do partido, a Comissão de Ética cometeu ato de "insubordinação" ao Planalto ao propor a demissão de Lupi. Afinal, alegam os pedetistas, a presidente e integrantes da base aliada, incluindo o PT, já declararam considerar as denúncias contra o ministro inconsistentes.

Oposição. Para o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), a recomendação da comissão sobre Lupi torna "absolutamente insustentável sua permanência na pasta". "O ministro não tinha qualquer condição de permanecer no cargo já há algum tempo. O que mais, além desse posicionamento da Comissão de Ética, a presidente Dilma está esperando? Isso só comprova que a faxina não existe. A presidente apenas reage e, nesse caso, perdeu o timing", afirmou.

No Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR) lembrou que a comissão vinha sendo "generosa" com os ministros envolvidos em denúncias. "A manutenção do ministro representaria uma prevaricação, um ato de cumplicidade da presidente", ressaltou.

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