Para dar caráter de Estado, Dilma leva os ex-presidentes

A preocupação de Dilma Rousseff ao convidar os quatro ex-presidentes da República para participar da cerimônia de instalação da Comissão da Verdade foi mostrar que não se trata de uma iniciativa dela ou de seu governo. Será lembrado na ocasião que as bases legais que permitiram criar a comissão datam do governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas não só. Embora setores à esquerda do PT e de familiares de mortos e desaparecidos tenham torcido o nariz para o convite feito a Fernando Collor de Mello, também será lembrado o papel dele no processo de abertura de arquivos.

O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2012 | 03h09

A contribuição de Collor já aparece em estudos daquele período. Um deles é a tese de doutorado que a cientista política Glenda Mezarobba defendeu na USP, com o título O Preço do Esquecimento: As Reparações Pagas às Vítimas do Regime Militar. Ela diz: "A devolução dos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Rio de Janeiro e de São Paulo, pelo presidente Fernando Collor de Mello, representou novo alento aos familiares. Afinal, só no arquivo de São Paulo, controlado pela Polícia Federal desde 1983, estavam guardadas 34 toneladas de papel entre 1,5 milhão de fichas, 14 mil dossiês e 150 mil prontuários, de brasileiros e estrangeiros".

Ainda segundo Glenda, o presidente que menos contribuiu para esse processo de abertura foi José Sarney. / R.A.

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