Para cúpula do PSDB, apoio de Marina 'não é fundamental'

Tucanos avaliam que mais importante é identificar eleitor de ex-ministra para atrair voto para Aécio

Débora Bergamasco, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2014 | 14h54

Brasília - O apoio formal da candidata derrotada à Presidência Marina Silva (PSB) ao presidenciável Aécio Neves (PSDB) é avaliado pela cúpula tucana como importante, mas não como fundamental para levá-lo à vitória no segundo turno. A avaliação é a de que a ajuda de Marina serviria como catalisadora do processo de transferência de votos ao tucano. Marina prometeu anunciar nesta quinta-feira, 9, sua posição para este segundo turno eleitoral.

O mais importante, agora, de acordo com estrategistas de Aécio, é identificar quem é o eleitor de Marina e tentar seduzi-lo, independentemente do posicionamento da ex-ministra. Acreditam que, se for um eleitor que busca a mudança - como eles avaliam ser - até a eleição ele já terá optado por eleger o concorrente do PSDB. Consideram que quem votou no tucano no primeiro turno tem posição consolidada ao menos até esta o dia 26 de outubro. E avaliam que o voto de Dilma já seja uma opção perdida para este eleitor.

O papel de Marina, portanto, seria o de acelerar o processo de convencimento e posicionamento desse votante. Essa aceleração é vista como positiva porque ajuda a alimentar a onda pró-Aécio nos próximos dias. E, quanto mais robusta a onda, maior é a adesão de aliados, mais aguerrida fica a militância e mais generosos se tornam os colaboradores financeiros. Além de fortalecer o candidato para enfrentar os ataques provenientes da candidatura de sua adversária, Dilma Rousseff (PT).

Caso Marina se mantenha neutra, como na eleição presidencial de 2010, acredita-se que os votos dela passarão um tempo no "limbo" da indecisão e, depois, naturalmente boa parte optará pela mudança do governo, segundo interlocutores de Aécio.

Pernambuco, onde Aécio recebeu menos de 10% dos votos e Marina saiu vitoriosa, é a região chave para o tucano minimizar a diferença de Dilma sobre ele no Nordeste. Mas a cúpula da campanha calcula que a votação expressiva da socialista se deu, especialmente, por influência do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em agosto durante acidente de avião.

Portanto, mesmo se Marina não estiver ao lado de Aécio, o apoio já sinalizado por parte da família de Campos (da ex-mulher, Renata, dos filhos e do irmão Antônio Campos) e do governador eleito pelo PSB, Paulo Câmara, devem ser suficientes para melhorar o desempenho do tucano em Pernambuco.

Até esta quinta, Aécio e seus emissários continuarão fazendo todos os movimentos necessários para obter o apoio formal da ex-presidenciável.

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