José Patrício / Estadão
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Para conter onda de apoio a Boulos, PT planeja antecipar entrada de Lula na campanha de SP

Nos bastidores, petistas admitem que manifestação de Celso Amorim e artistas e intelectuais a favor do PSOL pode dar margem a outras deserções

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2020 | 09h43
Atualizado 12 de agosto de 2020 | 15h52

O PT de São Paulo quer antecipar a entrada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Jilmar Tatto à Prefeitura para conter a onda de declarações de apoio de petistas à candidatura de Guilherme Boulos e Luiza Erundina (PSOL). Setores do PT voltaram a falar no nome de Fernando Haddad para disputar o Executivo municipal.

Na semana passada, artistas e intelectuais ligados ao partido como o cantor Chico Buarque de Holanda, o escritor Luis Fernando Verissimo, o cientista político André Singer e a filósofa Marilena Chauí assinaram um manifesto de apoio a Boulos. Na segunda-feira foi a vez de o ex-ministro das Relações Internacionais Celso Amorim, filiado ao PT, aderir à pré-candidatura do líder sem-teto. Ontem, os ex-deputados petistas Bete Mendes e Luciano Zica deram apoio à futura chapa do PSOL. 

No PT, o discurso oficial é o de minimizar as manifestações. Em conversas privadas, no entanto, petistas admitem que este tipo de apoio, embora não tenha impacto eleitoral direto (Amorim e Chico, por exemplo, votam no Rio), pode dar margem para outras deserções e dificultar os esforços para Tatto tentar ganhar musculatura. “Celso é uma pessoa muito querida por todos nós, mas não tem muita influência em São Paulo”, disse o deputado estadual José Américo Dias (PT), coordenador de Comunicação da campanha de Tatto. 

Escolhido com apenas 15 votos de vantagem sobre o deputado Alexandre Padilha em um colégio de mais de 600 votantes, Tatto entrou na disputa fragilizado e sua candidatura foi questionada internamente desde o primeiro momento. Por isso, nos próximos dias, ele deve pedir pessoalmente a entrada de Lula em sua campanha. O plano inicial do ex-presidente é se dedicar às eleições municipais apenas a partir de setembro, quando começa o calendário eleitoral oficialmente. Na semana passada Lula não participou de um ato de lançamento do site oficial da campanha de Tatto.

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O ex-presidente preferia outro nome para disputar a eleição na maior cidade do Brasil, mas não teve força para impedir a escolha de Tatto. 

O ex-ministro da Justiça e da Educação Tarso Genro, primeiro petista de peso a declarar apoio a Boulos, avalia que a onda de adesões ao candidato do PSOL não vai parar por aí. “Mas isso não significa que o Tatto vá retirar a candidatura. Ele tem legitimidade para ser candidato¨, afirmou Genro. 

Na segunda, Valter Pomar, líder da corrente interna Articulação de Esquerda, publicou em sua página um texto no qual cobra que a direção nacional do PT avalie na próxima reunião uma proposta de convocação a Haddad, uma espécie de último apelo para que o ex-prefeito aceite a candidatura. Ele tem apoio de correntes minoritárias e setores da tendência majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB).

A direção, no entanto, alega que existem problemas burocráticos no pedido já que o diretório municipal de São Paulo aprovou o nome de Tatto. 

Haddad continua dizendo que não vai ser candidato por razões pessoais e políticas. O nome de sua mulher, a professora Ana Estela Haddad, é ventilado como possível vice de Tatto. 

O candidato tem se esforçado nas últimas semanas para reunificar o partido. Levou o ex-prefeito Fernando Haddad e seus adversários na disputa interna Padilha e Américo (que apoiou o deputado Carlos Zarattini) para a coordenação de campanha. 

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